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U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 2: Que se lixe isto, vou comprar um carro]

Olá amigos. Hoje vamos falar de carros, um assunto que me é muito querido.

Take-Aways Principais

Driving is love, driving is life

Quando tinha 14 anos os meus pais deram-me uma motinha de 50cc velhinha. Tinha dezenas de milhares de quilómetros, estava a precisar de algum trabalho, gastava muita (MUITA) gasolina, mas era minha. A partir desse dia tornei-me independente: tinha a possibilidade de ir onde quisesse, quando quisesse. Toda a cidade passou a estar acessível no espaço de minutos e não horas, e as aldeias envolventes em "meias horas" e não horas. Deixei de ter que pedir para que me levassem aos sítios, passei a ir quando queria ou precisava. Com algum dinheiro da mesada podia ir saindo com os amigos e começando a ter uma vida mais "adulta". Pouco tempo depois, ainda por volta dos 14, aprendi a conduzir carros também (em estradas privadas, claro).
O valor desta transição é absolutamente imensurável no desenvolvimento de um miúdo. Passa a haver responsabilidade. Quando tinha acidentes, o que acontece de certeza, a culpa era minha e havia consequências. O corpo doía, a mota aparecia riscada e a precisar de reparações, e o que não conseguisse fazer eu tinha que encontrar forma de pagar. Os vizinhos queixavam-se do barulho. Quando chovia chovia-me em cima, e quando fazia frio de manhã a mota não queria pegar. Mas! Quando queria ir ao Continente comprar doces podia ir, quando queria ir visitar o meu pai não tinha que pedir boleia a ninguém, e por aí fora.
A experiência de começar a conduzir muito cedo, particularmente no ambiente "controlado" de uma cidade pequena, serve também para desenvolver algum instinto (à falta de melhor expressão) para a condução, nomeadamente para as duas partes fundamentais que as constituem:
Eu não sei como tem sido ultimamente, mas o processo de obter a licença dos 14 anos há quase 20 anos atrás era ridiculamente simples. Eu sinto que isso não é necessariamente mau, pois reduz a barreira de entrada à condução numa altura em que ainda é possível ganhar aquele "jeito" para a condução sem se tornar uma coisa estrangeira e forçada. Tudo somado, foi facilmente uma das experiências que mais serviram para me fazer crescer naquela altura, e algo que pretendo certamente incutir em infelizes filhos que alguma vez venha a ter.
Quando fiz 18 anos deram-me um carro (muito) velhinho para as minhas voltinhas em Coimbra, para onde iria estudar. Mais uma vez, é um privilégio: era muito velhinho, o seguro era baratinho e o imposto também, mas mesmo assim nem toda a gente conseguia ter o seu próprio carro. Por ter carro nunca precisei de usar os autocarros muito regularmente, o que me permitiu poupar noutras coisas: podia fazer as minhas próprias mudanças quando mudava de casa, podia participar em actividades extra-aulas com mais facilidade, etc etc. Fui quase sempre designated driver, mas sempre foi uma responsabilidade que aceitei com muito gosto: é bom de ter a oportunidade de levar os meus amigos a casa em segurança no fim de uma noite de castanhada. Se eu próprio quisesse participar na castanhada, a Maria normalmente voluntariava-se para trazer o carro para casa.
Ter um carro velho, sem modernices como sensores (ahah), GPS, rádio (exacto), direcção assistida ou ABS, permitiu-me fazer certas coisas. Com a liberdade de experimentar, pude tentar fazer várias reparações eu próprio; notavelmente, o disco de embraiagem que neste momento está nesse carro, que ainda anda, fui eu que o coloquei lá. Pude também fazer uso de alguns baldios que há em Coimbra e arredores para aprender a controlar o carro em situações mais extremas; uma espécie de curso de condução em condições adversas do homem pobre. O que é que acontece se tiver que fazer uma travagem de emergência em piso escorregadio? Como compensar a falta de ABS caso as rodas tranquem? E se a traseira deslizar?
Conduzir, para mim, não é um privilégio nem uma mania nem um capricho. É uma das pedras basilares da forma como lido com o dia-a-dia, uma forma inalienável de independência. O transporte pessoal é uma extensão do meu corpo e conduzir é um escape muito, muito importante.

Viver no campo sem carro

Durante os primeiros 6 meses que passei no UK tive que viver sem transporte próprio; apenas conduzi carros alugados por curtos períodos para ver casas ou fazer mudanças. Usei esses meses para me ambientar, deixar passar o primeiro inverno, estabelecer-me no trabalho e tratar de todas aquelas burocracias que discutimos no capítulo anterior. Aguentei todo esse tempo graças ao facto de a empresa para quem trabalho oferecer um serviço de shuttles para funcionários, que liga o campus às cidades e vilas mais próximas, numa das quais eu vivo. Isto permitiu-me não me preocupar com transportes para o trabalho durante meses, o que foi uma benesse incrível.
Estes primeiros meses foram de adaptação, de exploração e de cometer erros parvos. De aprender a perceber os Ingleses, como se comportam nas coisas mais básicas, e de me tentar misturar com eles com sucesso. Eu optei por viver no campo (i.e. significativamente fora das cidades grandes aqui à volta) por várias razões:
Tirando as viagens casa-trabalho-casa, a minha mobilidade estava muito reduzida. Ir a qualquer lado envolvia caminhar uma distância suficientemente grande para me chatear, no mínimo até à estação dos comboios e depois outro tanto onde quer que fosse. Ir às compras era um pau no cu porque tinha que as arrastar pelo monte acima até casa, pelo menos até descobrir que os supermercados entregam em casa por um preço muito muito razoável.
E depois há a rede de transportes. Eu adoro andar de comboio, mas infelizmente aqui é impossível. Nós somos dois, e ir à cidade mais próxima custa-me, pelo menos, umas 20 libras em bilhetes de comboio. Para comparação, demoro uns 25min a chegar lá de carro (mais ou menos o mesmo) e gasto talvez 2 ou 3 libras de combustível. Já para não falar no congestionamento a certas horas, em que não só os bilhetes são estupidamente mais caros, como temos que fazer a viagem toda em pé. Viagens grandes então nem se fala! Eu quero ir à Escócia ver se encontro a Nessie, e a viagem de comboio para 2 pessoas, ida e volta, ia-me custar facilmente 1000£!! Os comboios em si são espectaculares; fazem os nossos velhinhos Intercidades parecer ainda mais velhos e merdosos do que são mesmo.
Aos autocarros aplicam-se comentários semelhantes, com algumas agravantes. Não só são caros como tendem a não andar a horas, são populados com as pessoas mais nojentas que se consiga imaginar, e devem ser limpos à saída da fábrica e nunca mais.
Se calhar sou eu que sou maniento, se calhar acham que sou um snob mal habituado que anda de cu tremido desde cachopo, se calhar acham que devia era viver uns anos sem carro para ver o que é bom. Eu cá acho que paguei as minhas favas e agora mereço andar de carro até me doerem os joellhos. Eu antes quero poder ter carro e viver deslocado da cidade, do que viver no centro e andar no meio do magote enfiado em autocarros bolorentos e metros a cheirar a mijo. São escolhas. Não vejo grande apelo na "vida cultural" da cidade, da qual até posso desfrutar pegando no carrito e indo lá ver o que é o quê.

Comprar um carro

Um dia destes, com a conta do banco recheada de dinheiro de devolução de impostos, decidi que estava na hora de comprar um carro. Andei a ver carros novos e usados, e decidi que o hot hatch era para mim. Algo na vizinhança das 20000 libras, 10 pagas à entrada e outras 10 pagas em prestações durante uns 3 anos. Parecia-me razoável, estava bem dentro dos limites do que podia pagar e não me impedia de ir chegando aos meus objectivos de poupança.
Marquei um test drive e apanhei um comboio até ao stand. Chegado lá, aproveitei para fazer todas as perguntas e mais alguma ao vendedor, entre as quais como funcionaria o financiamento. Aí ele entregou as más notícias: com menos de 3 anos de residência, é virtualmente impossível conseguir financiamento para um carro, muito menos naqueles valores. Chateei-me, chamei um taxi e fui-me embora sem muito mais conversa. Fiquei fodido. Ainda verifiquei junto do meu banco com esperança da que eles, sabendo quanto ganho, etc, fizessem um jeitinho. Os valores a que me podia candidatar era muito mais baixos do que alguma vez funcionariam, por isso desisti do financiamento. Pela primeira vez na minha vida, ia comprar um carro a pronto.
Passei umas semanas a estudar melhor o mercado de usados. Andei a ver no autotrader [1], aparentemente o site mais popular de anúncios de carros. A primeira coisa em que reparei foi o quão mais baratos os carros são aqui que em Portugal. Eu sempre achei os carros usados caríssimos em Portugal, mas isto trouxe à luz o quão roubado o tuga médio é quando compra um carro. Para terem uma ideia, um familiar meu tinha comprado um carro por 5000€ (valor ajustado ao mercado) pouco antes de me mudar para cá. O mesmo carro, mesmo ano, mesmo trim level, com menos quilómetros, aqui custava 750£. Telefonei-lhe a gozar com ele, foi incrível.
Então decidi que o meu orçamento seria os tais 10k que pretendia originalmente dar como entrada. Deixei de parte a ideia do hot hatch para poder comprar algo mais recente, pois queria um carro com 2 ou 3 anos no máximo. Este limite não era tanto por cagança, mas porque queria apostar mais na fiabilidade do que noutros aspectos. Um carro mais novo, com menos quilómetros, tem uma probabilidade menor de me dar problemas no início, o que me compra tempo para conhecer o panorama de oficinas aqui à volta, o que esperar do seguro, etc. Pequeno, novo, simples, fiável; fui à caça
Há um conjunto de coisas a ter em atenção quando se procurar um carro usado:
Curiosamente, acabei por comprar o meu carro no mesmo stand onde fui antes, ao mesmo vendedor que me tinha entregue a triste notícia sobre o financiamento. Ele ficou impressionado por me ver de volta, mas a vida tem dessas coisas. Apenas fiz um test drive, e comprei imediatamente o carro. Pode parecer precipitado, mas:
bom negócio. Um bocadinho acima do valor de mercado segudo o autotrader, mas nada de muito preocupante.
Ficou marcado ir levantar o carro dali a 2 dias, e entretanto teria de tratar do seguro. Eu já tinha feito algumas simulações de seguros, portanto sabia o que esperar, mas mesmo assim achei caro: quase 1000£ ano para o seguro de um carro pequeno. Entretanto tenho explorado melhor o assunto, e parece que o mercado de seguros no UK sofre de graves problemas:
Para tornar o sistema verdadeiramente insultuoso, há seguradoras que oferecem potenciais descontos se instalarmos no carro um tracker da sua eleição [4]. Ou seja: cobram o que quiserem e ainda querem saber onde ando e a que velocidade ando, e se eu conduzir "bem" segundo lá os critérios deles, fazem-me um desconto; se não gostarem da minha condução sobem-me o preço. Naturalmente, mandei-os passear e paguei mais por um seguro sem tracker. Honestamente, acho a mera proposta de me deixar espiar por um potencial desconto no seguro nojenta: é o reflexo de um sistema profundamente partido. Ninguém diz a um português o que é conduzir "bem", caralho.
O seguro do carro trata-se todo online, o que para mim é muito estranho, e até se pode verificar online se o carro tem seguro [5]. Os comparadores de preços [6] são nosso amigos, mas cuidado com eles por vezes; já li casos de pessoas que tiveram apólices canceladas por tentarem muitas comparações com detalhes ligeiramente diferentes (infelizmente não encontrei uma ref para esta, mas penso que foi no /LegalAdviceUK). Correndo o risco de me repetir, o sistema de seguros auto aqui está profundamente desregulado e a precisar de alguém com tomates para o resolver. Certamente não será o BoJo.
No dia em que levantei o carro:
Dias depois recebi o novo V5C em meu nome. O V5C é uma espécie de livrete, ou "documento único" se formos modernos, mas ao contrário do livrete nunca deve andar no carro pois é muito fácil transferir o V5C para outro nome sem intervenção do dono anterior. Mais curiosamente ainda, o V5C não prova propriedade do carro, apenas quem é o "registered keeper" dele. Por outras palavras, a minha única forma de demonstrar que sou dono do carro é a factura que me deram quando o comprei. Neat.
Sentei-me no carrito, carreguei no botão para arrancar o motor pensando "que modernice", e ele lá acordou. Curiosamente, só nesta altura é que me ocorreu: se calhar não era uma má ideia ir ler sobre as regras da estrada aqui. Sorte a minha, o governo tem a totalidade do Highway Code [8] disponível no site, e tenho-o lido aos bocadinhos. Mais sobre isso no próximo capítulo.
Curiosamente, não é preciso termos connosco nenhuma documentação quando conduzimos [9]. Os Ingleses têm uma abordagem diferente da nossa no que toca à documentação; é tudo guardado em bases de dados do governo, e eles só precisam de verificar a matrícula contra a base de dados para saber se está tudo bem. O condutor apenas precisa de ter a carta de condução, e alguma identificação por conveniência. Eu pessoalmente costumo ter o cartão de cidadão e a carta de condução. Idealmente teria o passaporte, mas evito andar com o passaporte no bolso, e o cartão de cidadão deve ser mais do que suficiente como identificação até no mundo pós-brexit. Na realidade penso que a carta de condução por si chegaria, mas mais vale estar seguro né?
Virei proprietário do meu próprio veículo! Mais um, porque nunca vendi o bolinhas que está em Portugal.

Conclusão

Tenho que confessar que estou impressionado pela positiva com a experiência que foi comprar um carro no UK. O processo foi muito mais simples do que esperava, e praticamente tudo se tratou no stand na hora da compra. Até o seguro podia ter ficado logo resolvido, mas eu preferi fazer em casa com mais algum controlo sobre isso. Nota-se que é um sistema muito mais polido que em Portugal, pelo menos na minha experiência.
A minha relação próxima com a condução começa a entrar, infelizmente, em rota de colisão com o status quo: vivemos num mundo que cada vez menos suporta o transporte individual. Há gente a mais no mundo, e há carros a mais no mundo, há fumo a mais no mundo. Na realidade, há "a mais no mundo" de quase tudo o que é mau, pessoas incluídas. Sinto que esta minha necessidade de conduzir vai brevemente bater de frente contra a necessidade global de cortar no transporte individual a favor de transportes colectivos. Até lá, vou aproveitar as espectaculares estradas de campo aqui à volta, particularmente a horas em que não estejam completamente congestionadas. Fiquem de olho, o próximo capítulo vai falar sobre a experiência que é conduzir no UK, e como é que difere do que eu esperava.
Desta feita apontei para um post mais curto que o anterior, que essencialmente parte este assunto em dois: este primeiro cobre o processo de como (e porquê) comprei o carro, e o seguinte vai cobrir a experiência de conduzir em si. Notei que o engagement no capítulo 1 foi menor que nos posts anteriores, e suspeito que ler uma epopeia tão longa não ajuda; digam-me nos comments se tenho razão.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.

Referências

Capítulos Anteriores

submitted by UninformedImmigrant to portugal [link] [comments]

Nova regra #3: proibido desrespeitar vítimas de tragédias

Pelo menos no /futebol acredito que ninguém nunca desrespeitou a tragédia da Chape, talvez por ser um time simpático. Mas alguns usuários acham que o fato de ter acontecido com um time antipático significa que eles podem fazer esses tipos de comentários. Bom, isso acaba por aqui.
A partir de hoje é proibido usar tragédias para provocar, insinuar que aconteceram de propósito, ou de outra forma desrespeitar as vítimas de tragédias. Discutir elas em um tom sério e respeitoso é permitido, inclusive para criticar clubes ou diretorias.
Como sempre, quanto maior a ofensa, maior a punição, podendo o usuário sofrer um ban direto com um comentário do tipo "Falei, tem que queimar mais dez no CT pra renovar a macumba."
Eu sei que vários usuários têm sentimentos fortes sobre diversas coisas do subreddit (auto-promoção, flair, etc.) Faz 8 meses que as atuais regras entraram em efeito. A gente tá planejando fazer uma revisão anual com a comunidade dessas regras menos importantes no início do ano que vem. Mas essa mudança de hoje foi algo mais urgente.
Fora isso, lembrem-se que vocês podem alertar a moderação de um comentário que quebra as regras através de um simples report, ou de maneira mais rápida mencionar (username num comentário) um moderador, ou de maneira mais rápida ainda um modmail (mensagem privada pra /futebol).
submitted by Malarazz to futebol [link] [comments]

Atualização na regra #1 - proibido insinuações machistas

Devido à onda recente de comentários machistas no /futebol, agora é expressamente proibido tais tipos de comentários ou posts, além de racismo e homofobia que já eram proibidos antes. Não sei porque isso não foi proibido desde o começo, mas enfim, antes tarde do que nunca.
Como sempre, quanto maior a ofensa, maior a punição, podendo o usuário sofrer um ban direto com um comentário do tipo "Falando sério, talvez ela tenha uma carreira mais gratificante e se sinta mais realizada lavando as roupas do elenco."
Eu sei que vários usuários tem sentimentos fortes sobre diversas coisas do subreddit (auto-promoção, flair, etc.) Faz 8 meses que as atuais regras entraram em efeito. A gente tá planejando fazer uma revisão anual com a comunidade dessas regras menos importantes no início do ano que vem. Mas essa mudança de hoje foi algo mais urgente.
submitted by Malarazz to futebol [link] [comments]

Qual o motivo dos carros da Toyota durarem tanto?

No mundo auto motivo é conhecimento comum que os carros da Toyota são conhecidos por serem verdadeiros tanques. E isso virou até meme.
Já vi falarem que é por usarem um tipo de tecnologia já consolidada e não inovadora, mas discordo. Um carro com um conjunto mecânico semelhante não tem a durabilidade semelhante a de um Toyota, mesmo com um conjunto mecânico semelhante (não igual, evidentemente).
Seria o tipo de tratamento dos materiais? A montagem? O tipo de material? Alguma checagem de qualidade na linha de produção?
Sério, nunca vi explicação detalhada.
Pra vocês terem uma ideia, comprar um carro usado leva um certo tempo de pesquisa e precisa de muitos cuidados. No caso de um Toyota não tem muito mistério, é só olhar o básico e quase que fechar negócio. Claro que o recomendado ainda é levar em um mecânico de confiança pra dar uma revisão de pré-compra.
Só não sei dizer nos carros híbridos e os mais atuais que embarcam muito mais tecnologia nova. Também não sei se os Lexus possuem a mesma reputação, pois possuem mais tecnologia e features.
Enfim, claro que outros carros são também confiáveis (GM era Opel, Honda, Volkswagen AP, Uno, Strada, algumas Mercedes), mas a Toyota parece que mesmo não trocando óleo e cuidando mal, o carro ainda resiste se não tiver defeito de fábrica.
submitted by economista_vagabundo to brasil [link] [comments]

Poetas do r/rapidinhapoetica, apresentamo-lhes a nova equipe de moderação e os nossos planos para o futuro. Queremos sua ajuda!

Aos poetas, escritoras e escritores do rapidinhapoetica, hoje apresentamos a nova equipe de moderação desse subreddit, composta pelo u/M4D4R4G0D e um novo membro, u/robbed_irl (eu). Juntos, pretendemos não apenas manter essa comunidade o ambiente acolhedor que sempre se mostrou ser, mas expandi-la. Para isso, criamos um documento com nossos objetivos e planos para o subreddit, e contamos com sua colaboração!
O objetivo desse post é buscarmos aprovação, críticas e sugestões diretamente das pessoas que de fato fazem uso desse ambiente. Não só isso, também pretendemos criar um ambiente totalmente transparente.
Sem mais delongas, o texto abaixo se trata do trabalho que produzimos até então. Reiteramos que todas as críticas e sugestões serão acolhidas pela moderação. Após a publicação desse post, esperaremos entre três dias e uma semana, e, então, atualizaremos o texto abaixo com o que for decidido pela comunidade. Esse post deve ficar pinado durante o período de planejamento e execução.
Um forte abraço,
Mods do rapidinhapoetica
 
 

Propostas da nova equipe de moderação do rapidinhapoetica

 
Em decorrência do interesse de manter o subrredit rapidinhapoetica um ambiente acolhedor a escritores de todos os níveis da língua portuguesa, e, ao mesmo tempo, incentivar o crescimento e a interatividade da comunidade, o então moderador, u/M4D4R4G0D, iniciou o processo de recrutamento de novos moderadores pelo discord público do subreddit por meio desse post. No momento da escrita desse parágrafo, u/robbed_irl foi selecionado para compor a nova equipe ao lado do u/M4D4R4G0D.
O objetivo deste documento é listar e discutir propostas para atingir esse objetivo de forma transparente. Após sua primeira versão, ele será aberto à comunidade em um formato fixo, e sugestões e críticas dos usuários serão consideradas para compor o plano de ação da equipe.
O documento é composto pelas seções:
  • Propostas: lista de ideias que alterem características do subrredit. Cada proposta deve conter um nome e um argumento a seu favor, de forma que seu texto seja de fácil compreensão. Outro item que dever ser listado é a maturidade da ideia Exemplos: alta (já é implementada em outros contextos similares com sucesso), média (já foi implementada, mas vai exigir adaptação) e baixa (parte de um conceito interessante, mas é inovadora e requer mais cuidado na implementação). Links para outros subreddits ou projetos que a empreguem são bem vindos, assim como possíveis problemas que sua implementação possa acarretar.
  • Plano de ação: lista de eventos que deverão ser executados após a revisão das propostas, em ordem cronológica (tanto quanto for possível). A ideia não é ser um cronograma, apenas um guia para a moderação.
Todos os detalhes desse documento estão abertos à crítica e modificação, incluindo o texto que o descreve.
 
Propostas:
 
  • Revisão das tags:
    • Maturidade: alta
    • Argumento: novas tags podem promover mais interações e tipos de conteúdo dentro da comunidade. Por se tratar de uma comunidade de nicho, faz sentido concentrar mais estilos de escrita no rapidinhapoetica, visto que é inviável a manutenção e o crescimento de vários subreddits de nichos literários na esfera brasileira do reddit.
    • Tags sugeridas:
      • Poesia: essencialmente a mesma coisa que a tag atual "Poesia", um termo geral para arte textual, sem restrições.
        • Maturidade: alta
        • Argumento: pra que mudar o que está funcionando?
      • Canção: essencialmente a mesma coisa que a tag atual "Poesia", mas denotando um aspecto de musicalidade intencionado pelo autor.
        • Maturidade: alta
        • Argumento: se trata de mais uma categorização inofensiva, sugerida por usuários
      • Conto: essencialmente a mesma coisa que a tag atual "Conto", um termo geral para uma narrativa textual.
        • maturidade: alta
        • Argumento: pra que mudar o que está funcionando?
      • Escreva sobre: post no qual o autor escreve um trecho de uma narrativa, poema ou qualquer outra expressão textual, e os usuários são convidados a responder comentários que o continuem, com total liberdade quanto à direção, formato e tema.
        • Maturidade: alta
        • Argumento: essa é a ideia do WritingPrompts, um dos maiores subs de escrita do reddit, que conta com quase 15 milhões de usuários. Além de ser bastante divertido, é um formato que estimula a cooperação e a interação entre usuários. Não existem muitas formas para esse tipo de expressão aos escritores de língua portuguesa no reddit.
      • Construção de ideia: post no qual o autor está interessado em expandir um conceito, ideia, mundo ou universo. Se trata de um formato bem aberto, cujo intuito é inspirar a criatividade dos usuários e, potencialmente, ajudar o autor.
        • Maturidade: média
        • Argumento: inspirado em Worldprompts, SciFiConcepts e outros subreddits similares, esse conceito pode se tornar uma ferramenta útil para escritores e, simultaneamente, instigar conversas que culminem em textos interessantes.
      • Folhetim: inspirado na "literatura de folhetim", obras que eram distribuídas em capítulos nos jornais. A ideia é permitir que usuários criem narrativas, mundos, etc, de forma capitularizada. Totalmente livre quanto ao formato, seria possível a publicação gradual de obras literárias. Fica a critério do autor identificar o 'universo', ordem e posts associados.
        • Maturidade: baixa
        • Argumento: essa tag permitiria que textos mais complexos fossem criados, sem que ocorra uma queda no engajamento, típica de posts textuas longos no reddit. Além disso, se bem aproveitada, poderá gerar um engajamento e fidelização de usuários interessados na obra sendo contada. Como se trata de apenas uma tag e um formato livre, não há custos adicionais para a moderação.
      • META:
        • Maturidade: alta
        • Argumento: permitir que usuários tenham um espaço para criticar a forma como o subreddit é gerido é essencial.
 
  • Revisão da barra lateral:
    • Definiçao das tags: explicitar o uso adequado de cada tag
      • maturidade: alta
      • Argumento: deixar claro aos usuários quando e como usar cada tag
    • Ajustar os layouts em todos os designs: fazer com que todas as informações da barra lateral sejam acessíveis em todas as plataformas e versões do reddit (incluindo o design velho).
      • Maturidade: alta
      • Argumento: seguir o exemplo dos grandes subs, acessíveis pelo old.reddit.com, new.reddit.com e app oficial. É importante para que todos os usuários entendam as regras e objetivo do subreddit. Atualmente, no design antigo, a barra lateral contém apenas um parágrafo de texto.
    • Revisar regras: modificar as regras para que incluam o respeito às mudanças propostas.
      • Maturidade: alta
      • Argumento: as novas propostas devem ser incorporadas no corpo de regras do subreddit para que sejam aplicadas efetivamente.
      • Alterações sugeridas:
        • Faça uso adequado das tags: todos os posts devem estar adequadamente tagueados.
          • Maturidade: alta
          • Argumento: fundamental para o funcionamento "adequado" do sub.
          • Obs: enquanto o sub for pequeno, usuários infratores podem apenas ser advertidos e seus posts tagueados manualmente pela moderação.
        • Uso do botão de downvote: não downvotem outros posts. Em caso de infração às regras (que incluem, entre outras coisas, ofenças e ataques pessoais), usem o botão de report.
          • Maturidade: média
          • Argumento: presentear um artista com um downvote é cruel. Arte não se enquadra em uma visão binária, como a representada pelo sistema de karma do reddit. É uma regra que é muito mais uma sugestão, pois não pode ser moderada, mas alguns subs de nicho conseguem fomentar comunidades que a entendem. Podemos tentar ser um deles.
        • Meta-drama e propaganda política são proibidos: postagens de teor provocativo que buscam alienar parte dos usuários serão removidas.
          • Maturidade: média
          • Argumento: apenas um reforço à regra anti-ofensas (regra 1). Não significa que os posts não podem ter visões políticas, apenas que atacar membros de outro subreddit, quem votou em X, etc, deve ser evitado. Aludir ao relacionamento entre, digamos, o presidente e a ignorância não é problema, mas dizer que todos que votaram nele são idiotas é incendiário. Mais que proteger os usuários, essa regra visa proteger o subreddit e a comunidade.
          • Obs: é uma regra polêmica, a depender de quem você perguntar, mas que é amplamente aplicada por todo o reddit. A sua aplicação idealmente estará associada a um modlog público.
 
  • Tags textuais: tags adicionais (e opcionais) incorporados nos títulos dos posts, com a finalidade de sugerir interações e regras específicas aos posts que as contenham.
    • Maturidade: alta
    • Argumento: o reddit limita apenas uma tag por post, o que pode ser insuficiente. Tags adicionais (e opcionais) podem melhorar o engajamento entre leitores e autores. O exemplo clássico disso é o [Serious] do AskReddit, que, quando presente, indica que o autor deseja apenas resposta sérias.
    • Tags sugeridas:
      • [O que achou?] (nome sugerido): tag que indica que o autor do post está interessado em críticas e comentários. Inspirada na forma de funcionamento do OCPoetry (o subreddit gringo de poesia original mais bem sucedido), a ideia é que, para fazer uso dessa tag, o autor deve ter fornecido críticas construtivas a pelo menos outros dois usuários que utilizaram essa tag (o autor deve linkar suas contribuições no seu próprio post).
        • Maturidade: média
        • Argumento: ter um espaço para publicar seus textos é ótimo, mas, para alguns, pouco atrativo se não há troca de ideias. Essa regra é uma forma que se mostrou efetiva para "garantir" que a comunidade interaja e seus indivíduos cresçam técnicamente/estilisticamente com ajuda de outros que tenham esse mesmo interesse. Lembrando: essa tag seria totalmente opcional.
        • Obs: se implantada, o requerimento de contribuições prévias não existiria até a ideia "pegar". Caso o subreddit cresça, essa seria uma tarefa cansativa de moderar, mas que pode ser automatizada por meio de um bot moderador (eu, robbed_irl, seria capaz de executar essa proposta). O uso do sistema de report por parte dos usuários seria ideal para regular infratores. No primeiro momento, com a comunidade como se encontra, essas coisas não parecem ser um grande problema.
      • [Conheça meu trabalho] (nome sugerido): tag utilizada para convidar os leitores a conhecerem mais a respeito do trabalho do autor, uma solução para quem quer divulgar sua arte ou plataforma fora do reddit. O post deve conter um texto autoral, e o autor fica livre para divulgar seu trabalho da forma como achar mais interessante, seja no título, no corpo ou num comentário, linkando nesses contextos.
        • Maturidade: baixa
        • Argumento: a fim de mantermos o conteúdo do sub consistente, os posts devem se conformar às tags existentes. Caso o autor queira chamar atenção à suas plataformas fora do reddit, essa é uma solução não invasiva.
 
  • ModLog público: abrir o modlog à comunidade.
    • Maturidade: média
    • Argumento: por que não exigir da moderação a mesma transparência que gostaríamos de ver no nosso governo? A implementação é fácil, evitará acusãções quanto à parcialidade dos moderadores e deixará claro à comunidade que também seguimos as regras do subreddit.
    • Obs: é uma ideia ligeiramente controversa, pois subs que naturalmente atraem controvésia continuaram controversos com um modlog público. Não é o caso do rapidninhaspoetica.
 
  • Campanha de divulgação: criar um post bem pensado (high-effort) para divulgar o subreddit em outras comunidades, explicitando as mudanças que a equipe executou no rapidinhapoetica - em especial as novas "modalidades" (tags). Podemos fazer uso do conteúdo postado no sub para divulgá-lo (com a permissão dos autores, claro). <---edit: sugestões??
 
  • Post para discussões semanais: um post "pinned" (ordenado por data - "new") que servirá para discussões off-topic. Técnica de escrita, autores famosos, livros, etc.
    • Maturidade: média
    • Argumento: Enquanto vale a pena manter o sub focado em arte, discussões em torno do mundo literário/artístico também são importantes, mas tem pouco espaço na esfera brasileira do reddit. Esse poderia ser um espaço dedicado a isso.
 
  • "Concurso Literário": uma thread na qual usuários podem votar nos posts favoritos da semana. Posts ganhadores receberão uma tag especial.
    • Maturidade: baixa
    • Argumento: é uma forma positiva de premiar conteúdos originais, também servindo como agradecimento para os autores, engajamento para os usuários e uma legitimação da comunidade.
    • Implementação: poderia ser um post "pinned" ou um comentário "pinned" (caso a proposta "Post para discussões semanais" seja aceita). Cada usuário comenta apenas uma vez com o link para do post que está indicando. Automatizar a contagem via bot ou script é algo fácil, outros subs fazem coisas parecidas. Poderíamos dar um prêmio por semana ou mês. Eu, robbed_irl, autor da proposta, tenho a capacidade técnica para executar essa ideia.
 
Plano de ação
  • [x] Terminar a versão 1.0 desse documento
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Olhar para o passado de Portugal: Um apelo à moderação

Preâmbulo
Nestes últimos dias assisti a uma discussão acesa, quer na sociedade em geral, quer neste fórum, sobre a forma como honramos o nosso passado. Como a maioria das discussões políticas actuais, os oponentes entrincheiram-se em lados opostos e ripostam aos ataques do outro lado com aproximações aos extremos. Um defensor da revisão de monumentos e símbolos históricos sem se aperceber (provavelmente movido pelo parte reptiliana do seu cérebro) termina a defender a abolição de todas as estátuas erguidas. Uma pessoa no outro lado discussão faz um percurso semelhante no sentido oposto, chegando mesmo a defender não o monumento mas toda a vida de uma personagem de moralidade dúbia.
Acho que este debate, como todos os outros, era bem mais útil se fosse mais contextualizado e amigável. Para isso decidi dar o meu contributo ao argumentar para uma forma mais moderada de analisar a forma como vemos a nossa história. Adicionalmente, um comentário que fiz sobre este tema numa publicação deste fórum recebeu muito apreço e vários utilizadores sugeriram reescrevê-lo como uma publicação em si. Decidi ajustá-lo nesta publicação (acrescentando e melhorando alguns pontos) mas deixo a hiperligação ao comentário original a quem o quiser ler.
https://www.reddit.com/portugal/comments/h7bogo/enquanto_isso_no_brasil/fukwh6w?utm_source=share&utm_medium=web2x

Mini-ensaio

A meu ver as discussões polémicas sobre o julgamento e a memória da História de Portugal falham muitas vezes por dois principais motivos: 1) Anacronismo de valores e mentalidades e 2) Incompreensão do papel da narrativa histórica de um povo. Existiram outras falhas, mas penso que estas são especialmente relevantes.
1. Anacronismo de valores e mentalidades
Todos os povos na História e Pré-História viveram em conflito uns com os outros. A natureza Humana tem sido de conquista e de salvaguarda de recursos económicos para si em contraposição a outro grupo, desde zonas de caça há 50.000 anos a zonas de extracção de petróleo nos dias de hoje.
No entanto, ao longo do percurso que a Humanidade fez até hoje houve um aumento gradual da dignidade Humana e do respeito pelo outro. Simultaneamente houve também povos a coexistir com diferentes atitudes e valores. Isto faz com que não se possa fazer juízos de valor anacrónicos a nenhum povo dado que cada sociedade tem valores diferentes e normalizados no seu tempo, assim como diferentes perspectivas sobre os mesmos tópicos.
Evoluir em dignidade é muitas vezes um processo feio que muda uma realidade horrenda por outra horrível mas ligeiramente melhor. Adicionalmente este percurso não é linear, estando repleto de passos atrás. A dança feia do progresso civilzacional.
No início tribos guerreavam entre si e no final chacinavam os sobreviventes inimigos para que estes não os viessem a atacar no futuro. Num dado momento em vez de os chacinarem deram-lhes o direito à vida em troca de servitude. A escravatura, um dos grandes males da sociedade (que persiste até hoje) foi assim uma das etapas de uma marcha lenta de aumento de valores que a Humanidade tem feito desde a pré-História.
Mesmo a própria escravatura é ela própria um contínuo de valores que a passo muito lento evoluía para uma maior dignidade Humana. Se no início da escravatura, o senhor do escravo poderia fazer o que quisesse do seu escravo (incluindo tirar-lhe a vida), o Império Romano fez legislação que limitava (e punia) senhores que maltratassem os seus escravos:
" Hoje em dia, não é permitido nem aos cidadãos romanos, nem a nenhum dos que se acham sob o império do povo romano, castigar excessivamente e sem motivo os escravos. Pois, em virtude de uma constituição do imperador Antonino, aquele que matar sem motivo o seu próprio escravo é passível de sanção (...) mesmo um rigor demasiado severo dos amos é reprimido por uma constituição do mesmo principie "
Gaio, Instituições I, 52/3. 29 - II a.C.
Esta evolução lenta de respeito pela dignidade Humana significa que mesmo hoje estaremos ainda a meio dessa caminho. Se actualmente achamos normal, ainda que triste, que existam trabalhadores precários com rendimentos baixíssimos e insegurança profissional e social, certamente algures no futuro isso terá desaparecido e alguém nessa época nos insultará pela nossa aparente falta de Humanidade.
No caso de Portugal é importante entender que todas as nossas acções históricas se situaram num tempo específico com valores específicos. Quando analisamos o Brasil, fingir que os índios viviam numa espécie de paraíso terreno de paz e prosperidade é desonesto. As diferentes tribos guerreavam-se por tudo e por nada, comiam os seus inimigos, violavam e destruíam. Quando se põe Portugal em cena não é contraposição ao mundo perfeito e idílico mas à realidade que os portugueses quinhentistas encontraram.
Assim sendo, dado que o denominador comum de todos os povos é serem violento, isolar e destacar os portugueses quinhentistas não é nada mais que uma ataque anacrónico que se propositado é desonesto e se não propositado é ignorante.
Quando comparado com outras sociedades da época, principalmente aquelas que Portugal subjugou, os portugueses não se distinguem delas na violência (que era comum a todos), mas antes no facto de terem sido catalisadores de avanços civilizacionais. Mesmo no trato com diferentes povos é incrível a Humanidade que aquela gente, que conviveu com misérias, guerras e destruição como não imaginamos, tinha. Ler a troca de correspondência entre o rei do Congo e os reis Portugueses deita por terra muitos preconceitos que temos sobre as relações que os portugueses tinham com os povos com que deparavam.
2. Incompreensão do papel da narrativa histórica de um povo.
As nações possuem psique semelhantes a pessoas e sofrem de traumas tal como um indivíduo. A um adolescente que se meteu nas drogas e virou delinquente ninguém recomenda que, para melhorar a sua vida, se passe o tempo a relembrá-lo que consumiu drogas e que ele mau. Pelo contrário, iremos construir pontes para o futuro e garantir que ele não se odeia a si, dando primazia às boas acções dele e mostrando-lhe um caminho de bondade. Com nações deve-se fazer o mesmo, se repetires a alguém que ser português ou brasileiro é ser bom e ajudar o próximo, apenas diminuis traumas e auto-ódio e aumentas a probabilidade desses indivíduos agirem dessa forma (sendo bons e ajudando o próximo)
A construção de narrativas históricas tem um propósito diferente da análise objectiva da História e da busca da verdade. Um historiador trabalha arduamente para identificar todos os factos históricos, apurá-los, ponderá-los e elaborar uma explicação não enviesada dos acontecimentos passados. Permite assim que a Humanidade entenda melhor as suas origens, compreenda melhor o seu presente e ter um acervo histórico factual para consulta. No caso de narrativas nacionais o objectivo, e o modo como surgem, é muito diferente. Uma nação precisa de ter valores e ideias que unam os seus membros. Os seus membros unem-se em torno de traumas comuns e na sua resposta a eles, e também nos grandes sucessos conjuntos. Este agregado de sentimentos gera uma história complexa da qual os membros retiram os princípios que regem a forma de pensar do grupo. Esta memória colectiva é passada de geração em geração através das expressões culturais que essa nação criou, como os seus livros, as suas músicas, a sua arte.
Os grandes traumas criam um comportamento extremo que impeça o grupo de voltar a cair numa semelhante posição, os grandes triunfos criam epopeias de orgulho e um positivismo no futuro. Isto significa que as narrativas nacionais são altamente selectivas e nunca um espelho de toda a realidade histórica. Isto não é um defeito dessa narrativa, mas uma característica. Uma narrativa nacional é conjunto de histórias simples e que cada membro possa interiorizar e não um tratado histórico completo
A forma como cada nação olha para o seu passado define assim o seu comportamento futuro. Certas nações reagiram a traumas e triunfos com uma narrativa nociva, como a Alemanha pós primeira-guerra. A forma como aquela sociedade decidiu interpretar a sua derrota na primeira-guerra foi crucial na elaboração de uma mentalidade que permitiu a ascensão da ideologia Nazi.
Portugal por outro lado é das nações que, a meu ver, melhor soube criar uma narrativa nacional. Os nossos traumas e triunfos colectivos foram codificados numa linguagem de esperança e de abertura a outras culturas. Chego a dizer que, colectivamente, fomos sábios ao ponto de quase todas as interpretações que fazemos do passado nos fazerem, hoje, melhores pessoas. A título de exemplo pensemos nalguns dos principais mitos (narrativa de caráter simbólico-imagético) que compoem a nossa narrativa nacional:
Somos o produto dos momentos que escolhemos para nos representar e da forma como os interpretamos. Qualquer discussão sobre a forma como elaboramos a narrativa que colectivamente escolhemos para nos definir tem que ter sempre em conta o seu papel em definir quem somos. E qualquer alteração à nossa nova narrativa deve ter como objectivo fazer de nós mais Humanos e por definição, melhores Portugueses.
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Fracassei em todos os aspectos da minha vida

Boa tarde, estou precisando desabafar e resolvi contar aqui grande parte da minha história e talvez fazer uma auto-análise. Imagino pelo que vi e vivenciei que é possível que muitas pessoas se identifiquem com os assuntos que eu vou falar, então pode até ser uma leitura interessante.
Antes de começar, recomendo essa música pra quem por ventura vier a ler o texto abaixo. Ela não tem nada de especial, mas eu gosto bastante dela.
https://www.youtube.com/watch?v=7NLvmr7zpso
Pois bem, atualmente tenho 28 anos, quase fazendo 29 e estou terminando a minha segunda faculdade. Provavelmente algumas coisas em relação a datas serão confusas pois além da minha memória ser bastante ruim, ela se restringe aos últimos 5 anos da minha vida. Então, as últimas memórias que eu tenho são da copa de 2014 no Brasil onde consegui assistir a alguns jogos. Eu não sei se isso é neurológico, mas estou pra ver isso tem alguns anos já. Antes que perguntem, eu tenho memórias de situações anteriores, mas em vez de lembrar do fato em si eu me lembro de alguma outra pessoa me contando, então é uma espécie de memória de segunda mão.
Enfim, quando eu tinha cerca de 10 anos eu tive depressão crônica e comecei a tomar medicamentos para tratar isso. Por volta dos 13~14 além do tratamento da depressão, eu comecei a ter ataques de pânico intensos, de modo que eu tive que abandonar o colégio por cerca de 6 meses pois eu não conseguia sair de casa. Também desenvolvi um distúrbio de personalidade esquizóide. Felizmente acabei não perdendo o ano pois a direção entendeu a minha situação e eu tinha boas notas, esporadicamente eu arrumava a matéria do colégio e lia em casa pra tentar aprender alguma coisa. Curiosamente um amigo meu me contou anos depois que a minha mãe por volta dessa época pediu pra ele e alguns outros amigos tentarem me convencer de ir numa excursão do colégio que seria durante um feriado prolongado.
Avançando um pouco, por volta dos 17 anos e perto de prestar o vestibular, eu não tinha a menor idéia de qual curso eu deveria escolher. Cheguei a perguntar para o meu pai se ele poderia me dar mais um ano pra escolher a carreira enquanto eu fazia um cursinho mas ele só riu e achou que eu estivesse de sacanagem. Por fim, acabou falando pra eu fazer Direito pois ele sempre achou que todo mundo deveria saber o básico das leis, além do fato de ter trocentos concursos públicos disponíveis pros graduados. Nesta época, eu já estava de saco cheio de estar indo no psicólogo e no psiquiatra com regularidade, além de ter que tomar os medicamentos todo dia. Pra ser sincero, comecei a tomar os medicamentos em dias alternados em vez de diariamente e cada vez mais fui espaçando, até o ponto de achar que eu não precisava tomar mais. Não notei mudança nenhuma no meu comportamento, apenas uma grave insônia. Depois de um tempo então revelei que eu não estava mais tomando os medicamentos para os médicos e para os meus pais e como aparentemente não fazia diferença nenhuma porque ninguém percebeu, eu só parei de frequentar o psicólogo e psiquiatra de um dia pro outro.
Como eu não sabia pra qual curso prestar vestibular, acabei acatando a idéia do meu pai, só que eu não tinha motivação nenhuma pra estudar. Aliás, eu nunca tive e sempre fiz parte da grande maioria dos alunos que estudam apenas na véspera. Para a minha grande surpresa, acabei passando no vestibular e só fiquei sabendo aos 45 do segundo tempo, no penúltimo dia da pré-matrícula quando um amigo meu veio me dar parabéns. Foi uma conversa engraçada, ele me deu parabéns mas eu não sabia pelo quê, já que eu não tinha acompanhado o resultado do vestibular pelo fato deu não ter estudado durante o ano. Foi uma grande sorte, que aliás é um tema recorrente na minha vida. Dei sorte do meu colégio dar o conteúdo inteiro durante o 1º e 2º anos do ensino médio, deixando o 3º ano apenas pra revisão da matéria toda, então querendo ou não, eu assistindo as aulas acabei fazendo uma revisão sem querer. Dei muito mais sorte do meu amigo ter me avisado, já que sem ele eu perderia a matrícula e só deus sabe o que aconteceria. Talvez eu conseguisse o meu sonhado ano pra descobrir o que eu queria fazer da vida, mas me conhecendo, acho que eu apenas procrastinaria por mais um ano.
Já no começo da faculdade eu percebi que as carreiras legais não eram pra mim. Na verdade, analisando friamente, tenho certeza de que eu seria um bom juiz, devido à minha personalidade e jeito de ser. Infelizmente nasci sem a motivação necessária para traçar objetivos de longo prazo e perseguí-los. É bem verdade que eu considero que não se nasce com isso e que é tudo uma questão de disciplina, mas não me vejo mudando isso na minha personalidade no curto, médio ou longo prazo. Talvez seja um mecanismo de defesa pra me prevenir do fracasso, afinal de contas, ninguém pode dizer realmente que fracassou se nem tentou.
Enfim, apesar de achar a área da advocacia algo bastante chato, passei a me interessar moderadamente pela área acadêmica, mais especificamente pelo jusnaturalismo. Na época da faculdade comecei a ler um pouco sobre religião comparada e sempre achei que o direito sem uma base metafísica não passa de um jogo de poder onde quem possui mais faz a lei e quem não possui apenas obedece. Até hoje tenho vontade de realizar uma pesquisa acadêmica sobre isso, mas as chances beiram a zero pois a vida acontece.
Também durante a faculdade eu comecei a ter recaídas da depressão, mas como eu já conhecia os sintomas, eu sempre tomava medidas contra a minha própria vontade para tratar o problema no início. Eu tinha que manter um horário de sono regular, fazer algum tipo de exercício físico diariamente e ter uma alimentação mais saudável. Isso realmente funciona, então se alguém estiver passando por isso, recomendo fazer isso antes de partir para algo mais radical. O problema é que isso é chato demais e eu não conseguia manter essa disciplina por muito tempo, então eu ficava alternando períodos bons e ruins. Na verdade, isso acontece até hoje, mas aos poucos fui aprendendo a lidar com isso.
Vou abrir um parêntese aqui pois pelos anos de experiência, percebo que muitas pessoas passam pelo mesmo problema que eu, sobretudo aqui que é um lugar para desabafos anônimos. Também não é um assunto fácil de conversar com as pessoas, a não ser que você tenha ótimos amigos ou uma família bem estruturada que se importa realmente com você. A minha família sempre me deu essa abertura, mas por conta da minha personalidade eu nunca fui capaz de falar nada disso com eles. Aliás, não sei nem se adiantaria alguma coisa falar com eles. Acredito que o melhor meio mesmo seja apenas ler relatos na internet de pessoas que passam por uma situação semelhante pra saber que isso não acontece só com você. Acho que isso foi o grande motivador pra eu escrever este texto.
Gostaria de falar sobre sentimentos. É bastante paradoxal, visto que eu sou literalmente analfabeto em matéria de sentimentos e não sinto quase nada devido à minha TPE. Ainda sim, acredito que ajuda bastante saber que alguém tem a mesma sensação que você, pois é algo difícil de colocar em palavras. A pior delas é justamente esse algo que não tem nome. É como se fosse alguma coisa queimando, mas não queimando num sentido físico. Está mais para uma dor na alma, ainda que paradoxalmente a dor pareça física. Desde pequeno eu sinto isso e não consigo imaginar a minha vida sem sentir isso. A melhor forma que eu encontrei de descrever essa sensação até hoje foi como se existisse um buraco negro em algum lugar aqui dentro e que ele estivesse sugando tudo, até mesmo a tristeza, só que como ela está em maior quantidade, é o que acaba sobrando pra gente, ainda que essa tristeza não seja tão intensa quanto já foi em outros momentos.
Voltando, já no meio da faculdade eu sabia que teria problemas caso eu decidisse mudar de carreira pois seria bem mais difícil a minha entrada no mercado de trabalho sem experiência e com uma idade avançada, sem contar psicologicamente, já que os meus amigos estariam numa posição mais avançada da carreira profissional e consequentemente ganhando muito mais dinheiro que eu, o que é difícil pra qualquer pessoa, ainda que você não se importe muito com isso. Eu decidi não abandonar o curso no meio pois era um curso de renome numa excelente faculdade, então ainda tive que aturar mais 2,5 anos estudando algo que eu não gostava só pra pegar o diploma no final tendo certeza que eu não iria usá-lo.
Pois bem, prestei o enem no último ano da faculdade e consegui emendar um curso no outro. Não pra minha surpresa, descobri que o segundo curso que eu escolhi também era horrível e confesso que até cogitei em voltar pra advocacia. O problema é que eu não tive nenhuma experiência profissional em escritórios de advocacia e já esqueci o conteúdo da faculdade anterior, o que basicamente me impossibilita de voltar pra carreira anterior.
Ao menos arrumei um estágio e estou ganhando um salário mínimo por mês até eu me formar, que eu espero que seja daqui a dois meses. A parte ruim é que provavelmente não vão me contratar e eu vou ficar desempregado, a parte boa é que eu odeio o meu trabalho e provavelmente não vou aguentar nem mais 1 ano trabalhando lá.
Dito isto, vamos aos problemas e ao real motivo do desabafo. De uns tempos pra cá o negócio do meu pai está indo muito mal, de modo que tivemos que pegar alguns empréstimos com o banco e o coronavírus acabou forçando o negócio a ficar parado desde março. Então, já estamos numa situação periclitante.
Não bastasse isso, recentemente meu pai teve que operar para tirar um tumor e ao que tudo indica, provavelmente ele está com câncer. Além disso o meu pai está no limite de fazer parte do grupo de risco do covid e trabalha com atendimento ao público. Não sei como faremos pra tomar conta do negócio, já que ele provavelmente vai ter que parar de trabalhar pra fazer o tratamento.
A minha mãe por sua vez é aposentada por invalidez. A minha irmã tentou abrir um negócio também mas foi paralisado pelo coronavírus, sendo que ele já não ia bem. Desde o ano passado ela veio com uma proposta deu tomar conta da parte administrativa da coisa e tirar um dinheiro para mim do que entrar, mas a verdade é que ainda não consegui tirar sequer 1 real da coisa pois essa é a única fonte de sustento da minha irmã, então tudo o que eu consegui foi trabalhar de graça e um monte de dor de cabeça.
Eu por minha vez estou trabalhando entre 10 e 14h por dia ganhando um salário mínimo, fora o estresse e ainda tenho cerca de 5 semanas pra escrever o TCC que eu nem comecei pra me formar na faculdade daqui a 2 meses.
A única notícia boa que eu tive recentemente foi um conhecido meu ter me contado que só não se matou porque há uns anos atrás eu liguei e conversei com ele bem no dia em que ele tinha pretendido se suicidar.
Dada a minha situação é difícil não pensar em se matar constantemente. Não que isso seja algo novo, tenho esses pensamentos recorrentes desde os 13 ou 14 anos de idade, mas entre pensar e fazer existe um abismo infinito de modo que eu nunca cogitei seriamente fazer isso. Ainda sim, deixo sempre a opção aberta muito embora eu tenha me decidido a fazer isso só depois dos meus pais e da minha irmã morrerem.
Sendo bem sincero, motivos mesmo pra continuar vivendo eu não tenho nenhum. A única coisa que ameniza um pouco é eu tentar deixar a vida um pouco menos merda para os meus familiares, só que o fato é que eu tenho 28 anos na cara e não consigo nem me sustentar sozinho. Se o meu pai morrer, seja de câncer ou de coronavírus, imediatamente teremos que vender o apartamento e ir morar de aluguel ou com algum parente.
Eu acho que isso tudo é culpa minha, mas no fundo eu sei que não é, já que ninguém é capaz de prever o futuro. Também sei que a minha situação não é tão ruim quanto a de outros, já que eu ainda tenho um teto e comida, mas também sei que a coisa pode ficar feia muito rápido.
Acho que o maior agravante é que eu não tenho sequer 1 área da vida onde eu tenho um desempenho satisfatório. Fracassei economicamente, já que não consigo me sustentar; Fracassei amorosamente, visto que não tenho perspectiva nenhuma de constituir família; Fracassei socialmente pois o meu já pequeno círculo de amizades está se tornando cada vez menor muito pela perda de contato, já que eu não tenho mais como acompanhar os meus amigos com tanta frequência devido à falta de tempo e dinheiro; e a pior de todas, é a sensação de que fracassei como filho. Sim, é verdade, e eu tenho certeza que ninguém nunca vai falar isso, mas não existe nada mais natural que os filhos tomarem conta dos pais na velhice. Infelizmente pra mim, esse tempo chegou e eu não fui capaz de resolver esse problema à altura.
Quem não gostaria de bancar os pais para eles pararem de trabalhar, depois de uma vida inteira de trabalho? No meu círculo social já há pessoas que conseguiriam fazer isso, ao menos durante esse período de quarentena. É inevitável a comparação, mesmo sabendo que cada um é cada um. Eu sempre soube que seria difícil não ficar chateado com esse tipo de coisa quando eu escolhi mudar de carreira, mas está beirando o impossível. Não apenas no aspecto econômico, mas também no aspecto afetivo. Desde sempre a minha família soube que eu era praticamente um autista no quesito de relações sociais, ainda que eu esteja infinitamente melhor do que quando eu era mais novo. O que pega mais, é que no meu íntimo eu sequer considero a minha família como família propriamente dita. Eu entendo que eu tenho um dever moral para com eles, mas não vejo diferença entre eles e os outros seres humanos. É por isso que eu nunca falei eu te amo para eles e nem para ninguém. Não tenho certeza se eu vou chegar a falar isso pra alguém na minha vida, mas tudo indica que não.
Enfim, eu tinha mais coisas pra falar, mas infelizmente tenho que voltar a trabalhar. Desabafar aqui não foi ruim, eu deveria fazer isso mas vezes. Dito isto, eu estou juntando um dinheiro pra me consultar com um psicólogo online depois de quase 10 anos. Eu gostaria de ter dinheiro pra fazer pelo menos 2 meses, mas é difícil achar um psicólogo bom na faixa de preço que eu posso pagar.
Se possível, eu também gostaria de um feedback sobre o texto em si. Eu tenho uma conta anônima no medium e escrever lá, ainda que infrequentemente por falta de tema ou tempo, acabou se tornando uma das poucas diversões que eu tenho, muito embora eu ache que seja difícil alguém chegar a ler até o final, dado o tamanho imenso do texto.
É isso, excelente dia pra vocês.
submitted by throwaway2159861 to desabafos [link] [comments]

Desabafo de uma pessoa perdida nos próprios pensamentos e no mundo

Desde a pré-escola até o fim do ensino médio, eu sempre estive entre os melhores alunos da sala. Não era muito difícil, eu gostava de ir pras aulas e gostava da maioria dos professores, e isso tornava as coisas mais interessantes e fáceis.
Porém... isso não me levou a lugar nenhum. As minhas notas nos vestibulares tem sido horríveis. No primeiro ano que eu fiz vestibular, eu consegui passar em um curso. Mas eu não gostei e acabei largando depois de um ano e meio, e de lá pra cá eu estou cada vez mais perdido.Eu não sei mais o que eu quero cursar. As profissões que antes me chamavam atenção, hoje me parecem... sem graça. Uma vez eu ouvi uma pessoa dizer que trocou de curso, pois a segunda escolha era a que fazia "O olho brilhar" e trazia empolgação e tudo o mais. Porém... acho que eu nunca me senti assim com nenhum curso.Quando criança eu sonhava em ser biólogo, mas era uma fantasia exagerada pois eu não conhecia direito a profissão. Eu assistia programas de biólogos na TV que faziam viagens por ai vendo animais selvagens e eu achava que a profissão era isso.
Depois eu quis ser um profissional de educação física. No ensino médio eu comecei a cuidar mais da minha saúde, tive contato com esportes que eu sempre tive curiosidade e finalmente consegui começar a praticar. Melhorou a minha saúde, minha auto-estima, me deixou bem. Eu achei aquilo uma maravilha e resolvi que queria trabalhar com isso para que através do esporte eu conseguisse ajudar outras pessoas. No começo foi tudo lindo, eu vi as infinitas aplicações da educação física pra melhorar a saúde da população, vi o quanto isso é inexplorado, deixando uma grande fatia do mercado de trabalho livre. Porém... a companhia me desanimou muito. Era só gente falando sobre futebol, academia e whey. Eu amava as matérias teóricas, mas comecei a odiar as aulas práticas.
Então entendi que eu gosto de praticar esporte e talvez entender um pouco como o corpo humano funciona, ensinar ou monitorar alguém fazendo um esporte não é a minha área.Mais ou menos dessa época eu percebi que eu não estudava. Eu ia para as aulas, prestava atenção, tinha um conhecimento mediano do assunto e tirava boas notas. Eu sempre vi pessoas fazendo rotina de estudos em casa, se aprofundando, e eu nunca fiz isso, comecei a me sentir culpado e comecei a questionar se eu realmente "gosto de estudar". Eu tenho facilidade para guardar informações, então simplesmente revisar algo rápido antes da prova sempre foi mais que o suficiente. Mas isso só me trouxe conhecimento raso e superficial das coisas.Isso continuou no cursinho. Eu tranquei o curso de Educação Física, fiquei o restante do ano muito mal por conta da escolha e pelo ambiente em casa (que ficou pesado, em reprovação por eu ter desistido).
Então, no começo do ano seguinte, consegui me matricular em um cursinho.A coisa se repetiu, eu ia as aulas, prestava muita atenção, mas nunca consegui manter uma rotina de estudos em casa, por mais que as aulas me interessassem. É como se na hora da aula o assunto prende a minha atenção, mas em casa não. Eu perco o foco muito rápido e meu estudo não rende, e isso me fez tomar bomba de novo nos vestibulares.
Nesse meio tempo, entre desistir do curso e entrar em um cursinho, um amigo meu que estuda design de jogos em uma faculdade da região me chamou para ajudar o grupo dele a criar uma história pra um jogo. Eu amei fazer parte daquilo... no começo. Eu conversei com eles, entendi a proposta deles e comecei a dar ideias, fazer rascunhos e mandar um monte de coisa para eles... Mas sempre tinha uma pessoa do grupo que não gostava de algo, e mesmo se eu acatasse as sugestões e refizesse o roteiro do jeito que a pessoa queria, não ficava bom. No fim da história eu me estressei e não fiz mais nada. O jogo deles venceu o concurso que estavam participando, mas eu não me senti nem um pouco importante na vitória deles.Parece que tudo o que eu gosto de fazer, eu sou mediano. Eu gosto de escrever e de criar coisas, mas mesmo que eu dedique tempo para isso, nunca acho que ficou bom.
Eu escrevo um livro de fantasia medieval já tem seis anos, e eu não acho que ele seja tão bom assim. Já recebi elogios por trechos que eu escrevi, desde amigos até de pessoas da área de edição/revisão de livros. Uma pessoa que trabalha nessa área leu o que eu escrevi e disse que era muito bom, ainda mais para alguém iniciante. Disse que ficou surpreso e que, perto do material que ele recebe de outros escritores, o que eu fiz era realmente muito bom. O problema é que, apesar de eu criar cenas muito boas, fico com dificuldade de conectar tudo em uma história interessante.
Outra coisa que eu gosto de fazer é jogar. Por mais que eu passe um tempo considerável em um jogo ou outro, eu não me vejo chegando a nível de "pro-player" que compete ou que cria conteúdo sobre o jogo. Recentemente eu criei um guia muito bom para iniciantes em um MMO que eu jogava e mandei para uma guilda de iniciantes. Isso ajudou muito eles, mas outra vez eu não vi isso me levando para algum lugar.
Em vários momentos da minha vida eu quis ser um cientista, um pesquisador. Porém, vivemos em um momento em que o próprio governo está limitando essa possibilidade, fora que as pessoas estão cada vez mais acreditando em pseudo-cientistas que em cientistas de fato. Eu já quis ser psicólogo para poder estudar a mente humana, entender o comportamento e o funcionamento da mente. Já quis ser de outras áreas da saúde para tentar criar remédios para doenças. E ai as vezes eu tenho vontade de ser professor de alguma matéria de humanas.O grande problema de tudo é: Eu preciso estudar, mas não consigo. Os únicos momentos em que eu consigo ter foco é quando eu tenho um objetivo e o estudo me interessa (e nem sempre o que eu preciso estudar me interessa).
Agora eu estou em um momento que eu não tenho a mínima ideia de que curso eu quero fazer, e isso me faz procrastinar nos estudos. Além disso, no meio de coisas legais como Idade Antiga ou Geopolítica eu preciso estudar Física e Química. Quando eu era pequeno, eu passei dias pesquisando sobre o pássaro Dodô. Não sei porque, só sei que me interessou e eu queria saber tudo o que dava sobre ele, e eu realmente fiquei sabendo de muita coisa. Fiz um arquivo gigante no word com recortes de sites e imagens. Eu tinha a esperança de que um dia o Dodô fosse clonado e pudesse voltar a vida, mas quando eu vi um documentário em que uma pessoa disse que isso não seria feito, me desanimou de novo.
E eu sempre gostei muito de ler, já passei horas e horas desligado do mundo, viajando nas histórias dos meus livros. Porém... de um tempo pra cá nem ler eu consigo mais.Parece que tá tudo dando errado, que meu tempo tá passando e eu não estou aproveitando nada.
Desculpem pelo texto longo, acho que eu disse um monte de coisas aleatórias e possivelmente desconexas, as eu precisava botar isso pra fora. Obrigado por ter lido... ou não xD
submitted by AlvagorH to desabafos [link] [comments]

O impacto psicológico da quarentena e como reduzi-la: revisão rápida das evidências

International Journal of Drug Policy Watson TM, Kolla G, van der Meulen E & Dodd Z (2020).
O estudo, como informa o título, fez uma revisão rápida da evidência disponível na literatura acerca do impacto psicológico da quarentena e sobre como reduzi-lo. Dado o estado de emergência global em função do contágio por coronavírus, os autores informam ter preterido uma avaliação mais rigorosa de qualidade dos estudos abarcados em favor da preocupação por contribuir com a divulgação das melhores evidências então disponíveis sobre o tema em questão. Os autores definem “quarentena” como a separação e restrição de mobilidade por indivíduos potencialmente expostos a uma doença contagiosa para verificar se, tendo sido infectados, irão desenvolver a doença em questão. Essa é a situação abordada no estudo, que é distinta do isolamento, ou seja, a separação das pessoas que foram diagnosticadas com uma doença contagiosa das pessoas que não estão doentes. Lembram, porém, que as fronteiras entre quarentena e isolamento podem ser “borradas”. Na história recente, a quarentena foi adotada no Canadá e na China em 2003 por conta da síndrome respiratória aguda grave (SARS) e, em 2014, em vilas inteiras de muitos países da África Ocidental durante o surto de Ebola. No caso do COVID-19, cidades inteiras na China foram quarentenadas em massa, e estrangeiros que de lá retornavam foram solicitados a se autoisolarem (em casa ou em instalações estatais). Como os mecanismos de contenção não foram suficientes, e a transmissibilidade do vírus mostrou-se muito alta, quarentena, isolamento e distanciamento social vêm sendo adotados em vários pontos do planeta seguindo as recomendações das agências de saúde nacionais e transnacionais. Foram abrangidos pela revisão relatos de estudos primários realizados em dez países e que incluíram pessoas com SARS (onze estudos), Ebola (cinco), pandemia de influenza H1N1 de 2009 e 2010 (três), síndrome respiratória do Oriente Médio (dois) e influenza eqüina (um). Um desses estudos relacionou-se ao H1N1 e ao SARS. A maioria dos estudos revisados relatou efeitos psicológicos negativos de se permanecer em quarentena. De modo geral, humor deprimido e irritabilidade mostraram-se os sintomas mais prevalentes como manifestações de sofrimento mental, porém, também foram relatados confusão, insônia, raiva, exaustão emocional e sintomas depressivos e de estresse pós-traumático.
Tais sintomas foram especialmente importantes entre trabalhadores da saúde que atuaram em contexto hospitalar atendendo às pessoas infectadas, que também manifestaram medo, tristeza, culpa e dúvidas em relação a permanecer exercendo a atividade profissional. Dois estudos identificados na revisão realizada relataram efeitos em longo prazo da quarentena, informam que os sintomas de abuso ou dependência de álcool entre trabalhadores da saúde que atenderam aos infectados por SARS foram positivamente associados ao fato de terem sido colocados em quarentena e trabalhado em um local de alto risco. Sintomas depressivos também foram identificados após três anos, mais intensos entre o pessoal hospitalar que precisou ficar em quarentena (60%) contra os que não ficaram (15%). A revisão também indica que determinados fatores atuaram como estressores mais relevantes durante a vigência de medidas de quarentena: (1) maior duração da quarentena, de modo que pessoas que ficaram em quarentena por mais de dez dias relatam maior sofrimento psicológico; (2) medos de infecção, principalmente por temer infectar membros da família, especialmente entre mulheres grávidas e aquelas com crianças pequenas; (3) frustração e tédio, exacerbados pela impossibilidade de participar das atividades do dia-a-dia; (4) falta de acesso a suprimentos básicos como alimentos, água, roupas, moradia e medicamentos, bem como a irregularidade de cuidados médicos e insuficiência desses suprimentos pelas autoridades de saúde pública, e (5) informações inadequadas, com diretrizes claras e insuficientes, falta de coordenação entre as várias jurisdições e níveis de governo envolvidos e falta de transparência sobre a gravidade da pandemia, gerando dificuldades em cumprir os protocolos de quarentena. Na pós-quarentena, por sua vez, dois estressores foram centrais: (1) a perda financeira devido à necessidade de interromper atividades profissionais sem planejamento prévio, gerando raiva e ansiedade vários meses após a quarentena, com assistência financeira em valores insuficientes ou sendo disponibilizada tarde demais, produzindo dependência financeira da família, o que afetou mais as pessoas com renda mais baixa, trabalhadores autônomos e assalariados que não contavam com férias remuneradas, e (2) o estigma, principalmente direcionado aos profissionais de saúde em quarentena, que foram estigmatizados e rejeitados por seus vizinhos em algumas situações, e cujos empregos passam a ser vistos como muitos arriscados gerando uma tensão intra-familiar, para o que contribuem manchetes dramáticas e propagação de medo pela mídia. E para mitigar as consequências da quarentena, o que pode ser feito, segundo essa revisão? Para minimizar os problemas financeiros, é preciso que os governos delineiem programas específicos para fornecer suporte financeiro, assegurando que dentro do possível as pessoas trabalhem em casa, mesmo considerando que provavelmente com produtividade mais reduzida, contando com suporte social remoto de seus colegas.
Para minimizar a estigmatização, que tem como alvo em especial os profissionais de saúde, é preciso investir em uma educação geral sobre a doença e em justificar publicamente a medida de quarentena, fornecendo informações mais detalhadas às escolas e aos locais de trabalho, com um papel importante da mídia em oferecer mensagens rápidas e claras e um entendimento preciso da situação. Além disso, é importante que a quarentena respeite o tempo previsto, mantendo o tempo de quarentena ao que é cientificamente razoável, a menos em circunstâncias extremas. Estudos apontam que quarentenas mais longas estão associadas a piores resultados psicológicos, de modo que as autoridades devem aderir ao período recomendado de quarentena e não o estender. O público em geral deve ter acesso ao máximo de informação possível, que é fundamental, em especial às próprias pessoas em quarentena, que precisam entender a situação e ter uma boa compreensão da doença. Para isso, comunicação eficaz e rápida é essencial. As pessoas em quarentena costumam ter avaliações catastróficas de quaisquer sintomas, e informações inadequadas podem torná-las incertas da natureza dos riscos envolvidos. Suprimentos (gerais e médicos) precisam ser inevitavelmente fornecidos, o mais rapidamente possível, contando inclusive com planos de conservação e realocação de suprimentos às pessoas quarentenadas. Também é preciso reduzir o tédio, oferecendo técnicas de enfrentamento e gerenciamento de estresse e ativação da rede social das pessoas em quarentena, assegurando mesmo que remotamente o contato com família e amigos, bem como manter uma linha de suporte por telefone. Existem evidências que sugerem serem relevantes grupos de apoio especificamente para pessoas que ficaram em quarentena. Os profissionais de saúde merecem atenção especial, porque podem ser afetados negativamente pelas atitudes estigmatizantes, além de estarem preocupados com a falta de pessoal em seus locais de trabalho e com o trabalho extra de colegas. Nesse sentido, o apoio organizacional protege a saúde mental da equipe de saúde, sendo importante que os gerentes das equipes estimulem os funcionários a apoiar os colegas em quarentena. Finalmente, a revisão aponta que estimular o altruísmo (solidariedade) é melhor que adotar quarentena compulsória, visto que a maioria dos efeitos adversos advêm da imposição de uma restrição de liberdade: quarentena voluntária está associada a menos sofrimento e menos complicações em longo prazo. As autoridades de saúde pública, assim, devem enfatizar a escolha altruísta de auto-isolamento, lembrando à população os benefícios da quarentena para a sociedade em geral e que a quarentena está ajudando a manter outras pessoas seguras. Os autores concluem que o impacto psicológico da quarentena é amplo, substancial e pode ser duradouro, mas que, no entanto, não usar a quarentena e permitir a propagação da doença pode ter consequências ainda piores.
Fonte: plata_data, newsletter científica da Plataforma Brasileira de Política de Drogas.
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Vocabulário Português-Norueguês, de Andrey Taranov

Sinopse:
Os LIVROS DE VOCABULÁRIO da T&P Books destinam-se a ajudar a aprender, a memorizar, e a rever palavras estrangeiras. O dicionário contém mais de 9000 palavras de uso corrente. Recomendado como material de apoio adicional para qualquer curso de línguas. Satisfaz as necessidades dos iniciados e dos alunos avançados de línguas estrangeiras. Conveniente para o uso diário, sessões de revisão e atividades de auto-teste. Permite avaliar o seu vocabulário atual. Este livro também pode ser usado por estrangeiros para aprender Português.
ESTA EDIÇÃO REVISTA (Português de Portugal, 03.2014) contém 256 tópicos, incluindo: Conceitos básicos, Números, Unidades de medida, Os verbos mais importantes, Tempo, Calendário, Dia e noite, Meses, Estações do Ano, Viagens, Turismo, Cidade, Compras, Roupas & Acessórios, Cosméticos, Telefone, Conversação telefónica, Línguas estrangeiras, Refeições, Restaurante, Membros da família, Corpo humano, Medicina, Mobiliário, Eletrodomésticos, Terra, Tempo, Catástrofes naturais, Fauna, Animais selvagens, Países do mundo, e muito mais ...
CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS dos vocabulários bilingues da T&P Books: As palavras estão organizadas de acordo com o seu significado, e não por ordem alfabética. O conteúdo é apresentado em três colunas para facilitar os processos de revisão e auto-teste. Cada tema é composto por pequenos blocos de unidades léxicas similares. O vocabulário disponibiliza uma transcrição adequada e simples para cada palavra estrangeira. Ref. SW
Epub retail
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Poucos anos de vida e a falta de ajuda


Durante anos sempre vivi na base do contingenciamento emocional. Lá pros meus 12 anos uma vez vi minha melhor amiga me chamou pra me ver ela beijando um outro amigo. Obviamente uma mensagem, mas durante vários anteriores eu era bloqueado de mostrar algumas emoções por diversos motivos (família conservadora, primos que enchem o saco, vergonha, etcetera).

O tempo passou e durante o resto de minha adolescência, vivi nesse estado recluso. Fiquei preso a um grupo de amigos, cerca de 10 (todos homens). Todos foram amadurecendo e com o passar do tempo me senti cada vez mais isolado. Me lembro de ter um sonho de quando era criança, onde eu andava com amigos do fundamental e me perdia de todos. Ao encontrar-los, todos flutuavam, menos eu. Todos falavam para eu começar a voar, mas eu não conseguia. O sonho se tornou rotineiro, como um lembrete. E assim, ele ia e voltava. Meus amigos no ensino médio já pareciam cada vez mais diferentes. Conversava com todos, todos os dias também, mas me incomodava ainda essa maturidade. Não só isso, como o fato de que sempre fui bem baixinho, 1,63. Me sentia engolido. Já no fim de escola, a grande maioria arranjou namoradas, iam pras festas e ficavam bêbados. Eu não bebia. Fiz intercâmbio de 6 meses e ao voltar, tudo estava mais diferente no último ano. Comecei a beber, mas sempre fui pouco de bebida, não gosto de cerveja mas consigo tomar outras bebidas. Se for pra ficar bêbado, que seja algo bom. E porra, outra coisa, virgindade é um negócio tão estimado pela população. Eu via todos com quem cresci, que nunca imaginei, falando sobre sexo e como estavam em relação à isso. Eu, calado.

Enfim, acabou o ensino médio e é época de faculdade. Todos entraram, sobrou eu. Não passei pelo vestibular, mesmo nunca ter tido problemas de nota e nem nada. Não esforçava, mas pelo menos a inveja era das maiores vendo aqueles entrando em outro mundo sem mover um bendito dedo. Assim era a vida, claro. Nessa época me distanciei mais ainda, via de mês em mês alguns do grupo, além de conversar em WhatsApp e afins. Fiquei estudando em cursinho e enquanto isso via mais das festas, das pessoas felizes, das pessoas amadurecendo e cada vez mais livres. Eu não passei nos seis primeiros meses. Saí do cursinho e comecei a ir até uma biblioteca para estudar por conta própria.

Eu chorava todo dia. Todo dia estava com sono. Dormia 4 horas em média por dia. Não estudava direito. Não conseguia, via a vida passando e todos ali. Sei que foi um curto período, de outros seis meses, totalizando 1 ano de diferença. Mas já fora horrível para quem perdera o seu último ano de escola com os poucos amigos e pouca vida social que tinha. Nessa época, nenhuma festa importante nem nada. Nunca beijei ninguém, ninguém nem se importava. É óbvio que estou dramatizando as coisas, mas sempre foi assim minha sensação. Ninguém fala que sou feio, ao contrário. Mas a auto-estima é baixíssima, nunca tive aprendizado em relação à interações sociais além da amizade. E nunca me apaixonara, nunca. E eu juro que queria, juro.

Não passei. Fui para uma faculdade privada, fazer um curso totalmente diferente do que queria. Com um mês, a maior felicidade na minha vida. Passei para a federal e pro curso que queria, em 4ª chamada. Pela primeira vez me sentia leve, uma exaustidão que era todos os dias, chorava muito. Claro, sozinho. Os ataques sempre foram quando percebia que absolutamente nada do que gostaria se realizasse.

Entrei atrasado, um mês. Grupinhos de amizade já existiam, eu olhava e estava sozinho. Pelo menos estudava algo que queria. Todos os amigos eu via cada vez menos. Alguns, tem 6 meses já, para mais. No segundo dia de aula, ao entrar na faculdade e fazer o que sempre fazia em casos similares era analisar a sala. Percebi uma garota com uma roupa extremamente diferente. Não era chamativo, não era assustador nem nada. Era só bonito. Eu gostei dela de primeira, não sei por quê. O tempo passou, consegui bater papo com certas pessoas, e acabou por eu conhecer ela. Antes, eram apenas casos de olharmos um pra cada um e falar nada. Eu consigo ser carismático e falar, veja bem. Mas não conseguia simplesmente falar sem nada mais, especialmente porque aquela garota me passava um ar de maturidade bem grande (quer dizer, se relativo à minha pessoa que nunca fui muito responsável em termos de fazer algo que prestasse).

Acabei conversando com ela por conta de colegas que conversava. Gostava de conversar com ela. Passei a conversar cada vez mais e tal. Nunca na minha vida pensei poder conversar de uma forma tão fluída. Estava sempre mais confortável que quando com meus amigos.

Mas, aí é que tá. Ficou nisso. Eu sempre fui muito envergonhado na questão de realmente ser mais direto ou mais conversativo sobre a questão de relacionamento da parte amorosa. Acabo tratando todas as vezes que converso com ela da forma mais amigável, parecemos até amigos de longa data. É óbvio que estou romantizando, mas já havia gostado de mulheres simplesmente por serem bonitas ou por parecerem gente boa. Mas nunca dessa forma, nunca tinha realmente, se é que pode-se chamar assim, apaixonado. As viagens de ônibus eram lindas, com conversas perfeitas e divertidas.

O problema era justamente que formou-se uma espécie de grupo de amigos dentro da faculdade, formado pelos colegas que eu conheci na faculdade. Ela estava dentro. E, apesar de conversar da forma mais gostosa de todas, toda vez que vejo na roda de amigos, percebo que não sou único, que na verdade é realmente apenas uma amizade entre várias. Ela não bebia, mas acabou ficando um pouco tonta numa festa junina. Mandou áudio. Eu achando que era o único, nunca fiquei tão feliz. Acabei descobrindo logo dps que foram pra todos. Alguns indícios de que ela até trata melhor e conversa mais com outros do mesmo grupinho. É uma espécie de ciúme que não é ciúme e sim da falta de real carinho. Apesar de ter recebido vários abraços, não me lembro de um único que tenha me dado prazer de dar, que eu cairia aos prantos e etc.

Hoje, fiquei talvez na minha tristeza máxima. Não, uma pessoa não pode definir minha vida, não. Mas ainda assim, é horrível quando em anos você conhece alguém que realmente consegue ter talvez as conversas mais fluídas. Me sinto franco toda vez que ando com ela. É estranho, não é romantizado, mas com 20 anos nunca senti algo assim. Nem com amigos que conversava diariamente. Desde que a conheci não consegui nem me masturbar, de vez em quando a ansiedade ataca com tanta força e começo a chorar absurdamente. Hoje, fiquei o dia inteiro chorando, nunca na minha vida ocorreu algo assim. Uma solução rápida seria simplesmente conversar ou ao mesmo tempo tentar ser mais incisivo em relação ao tipo de relacionamento, que seja. Mas não quando você nunca aprendeu algo assim e especialmente tem um negócio chamado "vergonha". Esses dias descobri que não conseguia elogiar algo sem criticar logo depois. Me dispus a apenas elogiar durante alguns dias e fiquei melhor comigo mesmo. Pelas primeiras vezes estava elogiando de uma forma tão natural, era estranho. Mas nada resolveu a tristeza, nada resolveu a vontade de realmente estar do lado dela. Não tem um cu a ver com as calças, mas era algo que eu acabei me arrumando por causa dela. Gado demais? Com certeza. Mas não só isso, acho que era a vontade de sentir algum carinho de alguém que realmente tenho simpatia enorme.

Já procurei ajuda psicológica anos atrás, descobri que não olhava no rosto das pessoas quando falava, tinha medo. Resolvi. Parei então. Voltei anos dps. Parei com 6 meses por falta de dinheiro. E penso em voltar. Mas ainda assim, sei que não é uma resolução simples. Só vim desabafar alguns pontos que sempre batem na minha cabeça quando abria esse sub. Obrigado se você leu até o final, foi mal se algumas coisas saíram todas intercaladas e sem nexo. Escrevi saindo da cabeça, sem revisão nem nada.

A moral? As pessoas precisam ter alguma experiência na vida e se você não der nenhuma, ela nunca vai saber como reagir ou fazer algo.
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Pra quem está no banheiro agora

Tipos de cocô
1- FANTASMA: Você sente sair, vê o bicho no papel, mas não tem nada na privada;
2- CLEAN: Você sente sair, o bicho tá lá na privada, mas o papel tá limpinho;
3- MOLHADINHO: Depois de limpar a bunda umas 50 vezes, você ainda sente que não tá limpo, então você embola papel higiênico entre o rabo e a cueca pra não borrar;
4- GOSTINHO DE QUERO MAIS: Acabou de puxar a descarga, já puxou as calças até o joelho e de repente tem que começar tudo de novo;
5- HEMORRAGIA CEREBRAL:Aquele que requer tanta força que você fica todo roxo e quase tem um derrame;
6- ESPIGA DE MILHO: Auto explicativo;
7- TORPEDO: Tão grande que dá medo de puxar a descarga sem antes quebrar no meio com o cabo de uma escova de dentes;
8- ALCOÓLICO ANÔNIMO: Aquele feito na manhã seguinte a uma noite de bebedeira. Deixa uma marca longitudinal na porcelana após puxada a descarga.
9- CHAMA O ENCANADOR: Tão grande que entope o vaso e a água transborda, você deveria ter seguido a dica do 'TORPEDO'
10- CABELUDO: Aquele que você encontra na privada dois dias depois de expelido, quando a descarga não funciona, naquela altura inchado até ficar da grossura do seu antebraço;
11- EMBORA EU QUEIRA: Quando você fica sentado com uma puta dor de barriga mas só peidando, particularmente frustrante em banheiros públicos;
12- CAMINHÃO BASCULANTE: Sai tão rápido que mal dá tempo de sentar;
13- AERÓGRAFO: Versão diarreia do 'CAMINHÃO BASCULANTE' antes mesmo de você sentar BUM! Uma carga explosiva recobre todo o interior do vaso de uma camada mais ou menos uniforme de respingos. A água continua limpinha;
14- IÔ-IÔ: Aquela que requer uma força enorme para sair, e assim, que ela bota a cabecinha pra fora, você relaxa os músculos do abdomen e ela volta pra dentro;
15- EFEITO ILHA: Uma massa marrom e disforme saindo pra fora da água;
16- HÉRNIA DE DISCO: Variante do 'HEMORRAGIA' requer tanta força que você acha que tá saindo pelo lado;
17- ACHO QUE ESTOU PARINDO PELO CU: Um cruzamento de 'TORPEDO' com ' HÉRNIA DE DISCO', o produto assemelha-se em tamanho e formato a uma lata de batatinhas Pringle, depois que sai sobra um espaço vazio no reto (vulgo oco, Guina aprova);
18- RABO DE MACACO: Não para de sair, tipo pasta de dente, você tem duas escolhas: ou ir puxando a descarga e continuar mandando brasa, ou, arriscar-se a ver o bicho ir empilhando até chegar na sua bunda;
19- ACHO QUE ESTOU VIRANDO UM COELHINHO: Um monte de cocozinhos redondos que parecem bolinhas de gude e que fazem barulhinho ao cair na água;
20- ELEVADOR: Desce de uma vez. movimento retilíneo uniforme;
21- TARZAN: Só sai com o auxílio vocal;
22- PROMETO MASTIGAR MINHA COMIDA MELHOR: Quando o pacote de Doritos da noite passada parece vidro moído ao descer;
23- MORREU UM BICHO AQUI DENTRO: Também conhecido como Lixo Tóxico, é claro que você não avisa ninguém do odor do infecto. Em vez disso, você fica disfarçadamente perto da porta do banheiro fazendo força pra não dar risada enquanto as pessoas saem correndo e engasgando ali dentro;
24- AINDA TEM UM PENDURADO: Tem de esperar pacientemente o último pedaço cair, porque se você tentar limpar agora vai borrar tudo;
25- LANÇA-CHAMAS: Chamusca os pelinhos, faz você jurar nunca mais chegar perto de acarajé;
26- TONER: A única prova material de todo seu esforço é um ligeiro escurecimento da água;
27- PRIMOGÊNITO: Tão perfeito, marrom e saudável que dá pena de puxar a descarga;
28- MIGUÉ: Poderia muito bem ser um 'PRIMOGÊNITO', mas se esconde no vão da privada antes que você possa apreciar.....
29- SE SEGURAR O MIJO VAI: prende-se a piroca mole, fazendo ter pressão na bexiga, que ao tentar ter mais espaço esmaga o reto obrigando a merda a sair
30- PARINDO A PUTA QUE PARIU AH?: dói tanto, mas tanto, que você chega a soar fazendo força
31- FEIRA: Pode ser do tipo alface ou do tipo beterraba(vermelhinho), depende do que sua mãe comprou na feira do dia anterior. O famoso ESPIGA DE MILHO é um derivado.
32- HOMEM ELÁSTICO: Você começa a cagar e não consegue parar, como se tivesse cagando infinito, pra descer na descarga tem que cortar em pedaços e socar com o desentupidor, parece que você tá fazendo uma caipirinha de bosta.
33-MULHER INVISÍVEL: Você caga, mas não sai nada no papel higiênico e não tem nada na privada, pra se curar de cagar assim tem gente que faz psicanálise, regressão, fisioterapia, é tenso.
34-O COISA: É aqui que a porra fica séria, é aquele cocô gigantesco que pesa 5 kg e é duro de cagar, você precisa de uma torcida que fique na porta do banheiro e de um cu com superforça, caso contrário você quebra todos os seus ossos, mas se conseguir dá vontade de registrar o cocô no cartório com o seu nome.
35-TOCHA HUMANA: O mais perigoso, taça fogo no seu cu, o nome científico é "Tobas Ardentus". Suja toda a privada, suja toda a sua bunda, depois demora uma semana pra limpar a merda, parece que você deu um hadouken com o cu. 36-SUJEIRENTO: O cocô que dá mais raiva, aquele que joga água no cu e deixa seu cu todo sujo da bosta que você cagou antes.
Maneiras de dizer que vai cagar
Vou fazer o número 2. Vou soltar um barro. Vou materializar minha opinião sobre a eleição da Dilma. Vou ali passar um fax pro beltrano, ciclano, etc. Vou mandar o elevador pro térreo. Vou ali quebrar a louça. Vou chapiscar a porcelana. Vou fazer churros com a minha própria máquina. Vou ali fazer rapel sentado. Vou mandar os neguinhos pra nadar. Vou afogar o Nelson Mandela. Vou fazer um espetinho sem palito. Tô recebendo um fax de Boston e preciso repassar pra Chicago. Vou plantar árvore no rio. Vou acompanhar aquele meu amigo que veio lá do interior e está indo pro Rio. Vou sujar a barba do marujo. Vou cortar o rabo do macaco... e já volto. Vou ali cortar o charuto. Vou construír uma barragem. Vou ali tirar o plástico da mortadela. Me deu vontade de tirar a tartaruga do saco. Dá licença que eu vou dar uma barrigada. Vou dar uma borrada na porcelana. Vou fritar o acarajé. Já volto. Vou fritar um quibe na água fria. Vou fazer um download… Vou fazer um deploy. Preciso esvaziar o buffer. Tenho que formatar o HD - o hintestino delgado. Vou fazer um bolo... um bolo fecal! Vou bostar no Twitter… Vou ali conversar com a Tia Deca. Vou ali que o Pelé já tá calçando a chuteira... Vou ali falar com Ari Barroso… Vou afogar o moreno... Vou dar comida pro Seu Celite. Vou lá no banheiro enviar um e-mail e já volto! Vou alí porque o esquilo tá saindo da toca. Vou fabricar um boneco de argila cotoco de braço e de perna. Vou tirar o quibe da garagem. Vou dar uma chapiscada na louça!!! Vou fazer um depósito do Produto Interno Bruto Vou levar o tinga no toboágua. Vou na casa do pedrinho. Vou alisar o moreno Vou fabricar um chokito. Vou escorrer um aipim. Vou dar comida a bocão! Vou lá cortar o Churros…. Vou soltar a trança! Vou ali soltar um trem-bala. Vou decorar a porcelana! Vou assinar a lei áurea!! Vou ao Banco de Boston fazer um depósito bruto Vou mandar um Sedex para as Tartarugas Ninja Vou ali compor uma música profunda pro Caetano Veloso e já volto. Vou ler as novas notícias políticas na veja e já volto Vou brincar de fazer ilha… Vou despachar um deputado Vou ali desempacotar o Negresco. Vou enviar um e-mail com anexo pra presidência dizendo o que acho sobre a corrupção! Tô com vontade de desfragmentar o HD Vou tirar o pardal da gaiola Vou lá fazer uma revisão no escapamento Vou ali jogar a âncora no mar Vou obrar Vou descomer Vou passar um fax (esta é clássica) Vou visitar a minha amiga pri... (privada) Vou escorregar o moreno! Vou mandar o Pelé pra aula de natação Vou libertar meu amigo Vou vender barro Vou soltar a besta-fera Vou fazer churros.Alguém tá servido? Vou mandar um fax pra Sabesp (ou a companhia de saneamento da sua região) Vou soltar um barro duro!!! Vou jogar batalha naval (Acabei de Afundar uma Embarcação) Vou criar arte Barroca!! Vou Ali causar um Prejuízo. Vou ali Sustentar Brasília! Vou Meter Chumbo na Pri... (vada) Sabe o que eu vou fazer? Hidreto de potássio! Não entendeu? KH! Vou ali no escritório... 
Cagar também é poesia:
Cagar todo mundo caga
Cagar é a lei do universo
Até Dom Pedro cagou
E cagando faço esse verso
E por falar em cagar
Me veio assim de repente...
Um trôço curto e grosso...
Que quase rasga o cú da gente.
Outra linda poesia:
Cagar é uma sensação profunda;
O cocô bate na água;
E a água bate na bunda;
Mais uma:
Mijar fora do vaso
É coisa de momento
Cagar fora do vaso
É cú fora do centro
Mais uma linda poesia dedicada aos Poetas de banheiros:
Dos prazeres que existem sem pecar
O mais gostoso é cagar
O cu fica satisfeito
E a merda no devido lugar.
Cagar é um prazer do qual ninguem escapa
Caga o rei, caga o papa, caga o boi, caga a vaca até a garota mais linda
Faz suas bolinhas de caca.
É triste amar sem ser amado,
e mais triste ainda é cagar sem ter almoçado.
Não há prazer mais gostosinho
Que cagar devagarzinho.
Os escritores de banheiro são poetas por vocação
Que buscam na merda sua fonte de inspiração .
Neste lugar sagrado onde tanta gente esvazia a pança ,
A mulher passa o papel e o homem simplesmente balança.
Neste lugar tão único que recebe tanta gente,
Faz força o mais covarde e se caga o mais valente. Cague pela manhã ou pela tardinha, mas por favor não esqueça de puxar a cordinha.
Merda não é tinta, dedo não é pincel, quem quiser limpar o cu, faz favor usar o papel.
Gosto tanto de você que não te esqueço nem cagando , cada peido que eu solto é um beijo que te mando .
Aqui jazem os restos mortais deste olímpico tolete primordial que lutou de forma heróica
para sair do orifício anal.
Fonte: https://desciclopedia.org/wiki/Cagar
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Outubro Rosa 2019 – Sua vida é importante!

Outubro Rosa 2019 – Sua vida é importante!
Nesta campanha do Outubro Rosa de 2019 procuramos sinalizar como é importante a realização do auto diagnóstico.
E também a importância de realizar os exames para a identificação do tumor de câncer de mama.
Isto porque de acordo com O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima-se que:
Para cada ano do biênio 2018/2019, sejam diagnosticados 59.700 novos casos de câncer de mama no Brasil.
Só para exemplificar, isto é um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres.
O câncer de mama é sem dúvidas uma doença perigosa, por isso é necessário dar a devida atenção para os exames de identificação.
Acima de tudo você pode ler informações importantes na revista do INCA, Leia aqui.

Como realizar o diagnóstico?

O diagnóstico pode ser feito a partir de um auto exame e em seguida de uma consulta com profissional da área da saúde.

Como realizar o auto exame de mama?


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De acordo com o INCA:
O rastreamento do câncer de mama é uma estratégia dirigida às mulheres na faixa etária em que o balanço entre benefícios e riscos dessa prática é mais favorável, com maior impacto na redução da mortalidade.
Os benefícios são o melhor prognóstico da doença, com tratamento mais efetivo e menor morbidade associada.
Os riscos ou malefícios incluem os resultados falso-positivos, que geram ansiedade e excesso de exames; os resultados falso-negativos, que resultam em falsa tranquilidade para a mulher; o sobre diagnóstico e o sobre tratamento, relacionados à identificação de tumores de comportamento indolente (diagnosticados e tratados sem que representem uma ameaça à vida); e, em menor grau, o risco da exposição à radiação ionizante, se frequente ou sem controle de qualidade.
No primeiro, o exame de rastreio é ofertado às mulheres que oportunamente chegam às unidades de saúde, enquanto o modelo organizado é dirigido às mulheres na faixa etária alvo que são formalmente convidadas para os exames periódicos.
A experiência internacional tem demonstrado que o segundo modelo apresenta então melhores resultados e menores custos. No Brasil, conforme revisão das Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama, publicada em 2015, a mamografia é o método preconizado para rastreamento na rotina da atenção integral à saúde da mulher.

A importância da mamografia | Outubro Rosa 2019

A mamografia é o único exame cuja aplicação em programas de rastreamento apresenta eficácia comprovada na redução da mortalidade do câncer de mama. Com isso a mamografia de rotina é recomendada para as mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. Logo a mamografia nessa faixa etária e a periodicidade bienal são rotinas adotadas na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama. E baseiam-se na evidência científica do benefício dessa estratégia na redução da mortalidade nesse grupo e no balanço favorável entre riscos e benefícios 6.
Em outras faixas etárias e periodicidades, o balanço entre riscos e benefícios do rastreamento com mamografia é desfavorável 6. Aproximadamente 5% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres com alto risco para desenvolvimento dessa neoplasia.
Risco elevado de câncer de mama inclui: – história familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau antes dos 50 anos ou de câncer bilateral ou de ovário em qualquer idade; – história familiar de câncer de mama masculino; – e diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipia ou neoplasia lobular in situ 7.

Como identificar os sintomas de câncer de mama?

Os principais sinais e sintomas da doença são:Primeiro ponto a saber caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor; a pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja,
Terceiro alterações no bico do peito (mamilo) e saída espontânea de líquido de um dos mamilos.
Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou na região embaixo dos braços (axilas).

O que causa o câncer de mama? |outubro rosa 2019

Não há uma causa única para o câncer de mama.
Diversos agentes estão relacionados ao desenvolvimento da doença entre as mulheres, como:
  • envelhecimento (quanto mais idade, maior o risco de ter a doença)
  • fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher (idade da primeira menstruação, ter tido ou não filhos, ter ou não amamentado, idade em que entrou na menopausa)
  • histórico familiar de câncer de mama, consumo de álcool, excesso de peso, atividade física insuficiente e exposição à radiação ionizante.
Portanto a prática de atividade física e de alimentação saudável, com manutenção do peso corporal adequado, estão associadas a menor risco de desenvolver câncer de mama:
Com isso, cerca de 30% dos casos podem ser evitados quando são adotados esses hábitos.
Sobretudo a amamentação também é considerada um fator protetor.
Além de estarem atentas ao próprio corpo, mulheres de 50 a 69 anos devem fazer mamografia de rastreamento a cada dois anos.
Esse exame pode ajudar a identificar o câncer antes de a pessoa ter sintomas.
A mamografia nesta faixa etária, com periodicidade bienal, é a rotina adotada na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama e baseia-se na evidência científica do benefício desta estratégia na redução da mortalidade neste grupo.
Então neste outubro rosa 2019 o ideal é estar atenta ao seu corpo.
E realizar não só o auto exame, bem como cuidar da alimentação e ir regularmente ao médico, principalmente se estiver na idade de 50 a 69 anos.
Via https://blog.expanssiva.com.b
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Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO

A maioria das pessoas reclama da falta de tempo que dispõe para suas atividades diárias devido à enorme carga de tarefas que tem para executar.
O que ocorre é que as pessoas quando aprendem em um curso acadêmico, ou mesmo ingressam de alguma forma em uma função, profissão, são sempre instruídas sobre “O que” fazer sendo ignorado o modo como se fazer o trabalho, principalmente aos detalhes que fazem o diferencial para se obter uma maior eficiência e eficácia.
Não basta ser especialista no que se faz, é que preciso ter noções da melhor maneira de realizar o trabalho.

COMO ADMINISTRAR MELHOR O SEU TEMPO?

Tempo é das coisas mais indefiníveis e paradoxais: o passado já se foi, o futuro ainda não chegou, e o presente se torna o passado, mesmo enquanto procuramos defini-lo, e como se fosse um relâmpago, num instante existe e se extingue.
Na maioria dos casos, a análise revela que, com alguns ajustes, o indivíduo poderá produzir muito mais, com menos dispêndio de esforços. Chama-se “trabalho inteligente”.
ORGANIZE UMA AGENDA DO TEMPO
Para identificar com precisão como você ocupa o seu tempo, faça uma agenda, dimensione exatamente o percentual de tempo utilizado em cada tipo de atividade.
Pois não podemos controlar nosso tempo se não sabemos exatamente como o estamos utilizando.
Geralmente somos levados a achar que sabemos como utilizamos nosso tempo, mas nem sempre isso é verdade.
O princípio básico para utilizar bem o tempo é priorizar as tarefas realmente importantes e que nos trazem maiores resultados, aquelas que sempre deixamos para executar depois das mais fáceis!
Avaliar a forma como utilizamos nosso tempo é o primeiro passo que devemos dar, e após isso questionar: Os resultados seriam melhores se eu passasse o meu tempo trabalhando em outra atividade?
Como eu poderia executar as tarefas mais importantes com mais freqüência e eficiência?
Um outro aviso importante: Geralmente seus colegas de trabalho tem o costume de lhe passar material, assuntos e tarefas que não dizem respeito à sua atividade principal (ao seu foco).
Este tipo de material deve imediatamente ser retornado à pessoa que realmente deve dar continuidade. Responda na própria correspondência e retorne imediatamente.
Não deixe nada entulhando sua mesa ou caixa postal de e-mail. Sempre que possível evite dar respostas como: Vou ver e lhe retorno depois!. Assim que tiver um retorno lhe informo!
Dê as informações necessárias já no momento para que a pessoa mesmo pesquise sozinha! Não atue como intermediário de nada.

VOCÊ REALMENTE SABE COMO USAR SEU TEMPO?

A primeira medida para melhorar a utilização do tempo é verificar como ele vem sendo empregado.
Muitas pessoas imaginam que sabem como usam seu tempo, mas quando eles são registrados, numa “tabela de tempo”, o resultado é surpreendente para estes indivíduos.
Algumas situações comuns observadas numa tabela de tempo:
Para efetivamente avaliar a utilização do tempo, é necessário questionar o efetivo uso do mesmo.

QUANTO TEMPO UTILIZAR EM CADA TAREFA?

A lei de Parkinson diz que o trabalho tende a preencher (ou adaptar-se) ao tempo disponível ou alocado para ele.
Se você alocar uma hora para uma determinada tarefa, terá mais chances de terminar o trabalho dentro desse prazo, caso estabeleça duas horas para o mesmo trabalho provavelmente utilizará as duas horas para o trabalho.
Estabeleça sempre a quantidade de horas e datas para conclusão de projetos, provavelmente descobrirá um meio de fazê-lo dentro do prazo estabelecido por você, e sua produtividade aumentará bastante.
DIVIDINDO SEU TRABALHO DE ROTINA EM LOTES
A divisão em categorias e o agrupamento de seu trabalho podem ser chamados de “agrupamento”. Processe as informações e as tarefas semelhantes em lotes, reduzindo dessa forma, o desperdício e o deslocamento.
Você executará cada tarefa de forma mais eficiente. Muitos elementos de seu trabalho podem ser reduzidos a simples rotinas que lhe permitirão concluir tarefas semelhantes no mínimo tempo possível.
Esses tipos de tarefas realmente se prestam ao agrupamento. As vantagens de abordar o seu trabalho dessa maneira são várias.
Você verá que o trabalho em lotes permite que você se prepare e se organize para ele de uma só vez, ao invés de ter de fazê-lo várias vezes se o trabalho for feito aleatoriamente.
SUPERANDO O ADIAMENTO
O adiamento provavelmente consumirá mais tempo no seu local de trabalho do que em qualquer outro lugar.
Se você for uma pessoa que costuma adiar, a mudança de atitude para o Faça Agora será um elemento chave para ajudá-lo a identificar onde existe adiamento nos seus hábitos profissionais e a superá-lo.
A maioria das pessoas é muito inteligente, até mesmo engenhosa, no que diz respeito a adiar as coisas. “Eu não tenho muito tempo” é uma desculpa comum.
“Eu acho que eles disseram que não estariam aqui hoje, então eu não liguei.” “Não é tão importante.” A lista de motivos pelos quais uma tarefa não pode ser concluída é interminável.
Seja tão esperto para concluir as coisas quanto o é para adiá-las. Insista até encontrar a solução para cada problema sem adiá-lo.
É aí que você deve concentrar o poder de sua mente, e não em desculpas inteligentes.

AS 8 MANEIRAS DE SUPERAR O ADIAMENTO

1) Faça agora e fará uma vez somente: Não fique lendo e relendo para fazer uma ação. Leia e aja.
2) Clareie a sua mente: Não postergue nada. Programe o que você vai fazer e realmente faça ou esqueça o que você não vai fazer.
3) Resolva os problemas enquanto eles são pequenos: Caso contrário seus problemas crescerão e consumirão mais tempo.
4) Diminua as interrupções desnecessárias: Isso o ajudará a ser mais produtivo.
5) Coloque os atrasos em dia: Os trabalhos atrasados criam o seu próprio trabalho extra.
6) Comece a operar visando o futuro e não o passado: Trabalhe sempre de forma preventiva, antecipando-se.
7) Pare de se preocupar: O grande dano do adiamento é o cansaço mental e psíquico que isso causa.
8) Agora sinta-se melhor em relação a si mesmo: A conclusão de tarefas evita o estresse e a ansiedade e traz mais autoconfiança e auto-respeito.

ESQUEÇA LEMBRANDO

A maioria das pessoas tem certo orgulho da sua capacidade de se lembrar de “tudo” o que deve ser feito.
É um jogo mental que fazem. Embora possam ter sido bem-sucedidas em uma certa época, o ritmo atual do trabalho e da vida particular e o volume de atividades com as quais devemos estar em dia aumentaram tanto que é impraticável estar por dentro de mil coisas a fazer.
Essa preocupação constante de tudo o que precisam fazer, lembrar-se de tudo, simplesmente lhe sobrecarregam, principalmente porque acabam se lembrando de “tudo” nos momentos menos interessantes.
Os executivos e gerentes deveriam se interessar mais em esquecer todas as coisas que têm a fazer. Sim eu disse esquecer.
O que as pessoas precisam é de ter um sistema adequado em prática para se lembrar dessa infinidade de detalhes quando, e só quando, for preciso. Parece loucura? Na verdade não é.

3 PRINCÍPIOS GERENCIAIS CLÁSSICOS DE ADMINISTRAÇÃO DE TEMPO

Três princípios gerenciais clássicos de administração de tempo estão sendo seriamente questionados pelos estudiosos. Estes conceitos são:
  1. Faça uma lista das tarefas que você precisa executar diariamente e concentre-se nelas até que todas estejam executadas.
  2. Cuide primeiro dos assuntos urgentes.
  3. Distribua uniformemente sua carga de trabalho.
O fato é que todo mundo já utilizou estas técnicas frequentemente com algum grau de sucesso.
No entanto, renomados experts como Peter Drucker, Merrill Douglass e o filósofo do século XX, Vilfredo Pareto, afirmam que elas precisam ser descartadas a fim de abrir caminho para métodos mais eficazes.
Aparentemente, as regras são boas. Cada uma delas, entretanto, contém aspectos negativos.
Analisemos em separado estas diretrizes para descobrirmos por que elas precisam ser riscadas do livro de regras gerenciais.
1. Faça uma lista das tarefas que você precisa executar diariamente e concentre-se nelas até que todas estejam executadas.
O que há de errado nisto? Uma porção de coisas. Conforme Drucker aponta, é preciso equilibrar o trabalho com o tempo.
Lembre-se que o tempo é imutável, ao passo que o trabalho é flexível como massa para modelar. Ele pode ser pressionado, moldado, reformulado e dividido.
Portanto, o trabalho deve sempre subordinar-se ao tempo disponível. Atacar com entusiasmo sua lista diária de itens a fazer não é suficiente.
O tempo deve ser realisticamente programado para que as tarefas certas realmente sejam feitas.
2. Cuide primeiro dos assuntos urgentes.
Se é urgente, deve ser importante, certo? Errado! Quem é que diz que o assunto é urgente?
É você, seu chefe, sua secretária, um cliente, um empregado, um vizinho? Urgente implica em necessidade de atenção imediata.
Mas quem está exigindo atenção imediata? Como a tarefa em questão se relaciona com os objetivos a serem atingidos?
Na realidade, existe um relacionamento matricial entre assuntos urgentes e importantes. Esta correlação pode ser simplesmente citada como:
“Assuntos urgentes podem ser importantes, mas não necessariamente.” São quatro os possíveis relacionamentos. O assunto pode ser: Tanto importante quanto urgente Ex.: você está quase perdendo seu principal cliente. Importante mas não urgente Ex.: planejamento estratégico para os próximos três anos. Urgente mas não importante Ex.: a maioria do telefonemas. Nem urgente nem importante Ex.: conversa fiada ou comentários excessivos sobre o jogo de futebol da semana passada.
Conclui-se, portanto, que assuntos importantes (os que têm vínculo com os objetivos) deverão sempre ter prioridade sobre assuntos meramente urgentes (os que pressionam pelo tempo), uma vez que atenção deixará pouco tempo para fazer o que realmente é importante.
3. Distribua uniformemente sua carga de trabalho.
Há quase 100 anos, Pareto questionou este conceito. O Princípio de Pareto postula que para qualquer número de itens, um pequeno número destes itens é muito mais importante do que o restante.
Por exemplo, 20% dos clientes de uma companhia provavelmente são responsáveis por 80% das vendas, ao passo que 20% dos itens em estoque podem representar 80% do inventário.
O Princípio de Pareto é uma prescrição de discriminação. Ele propõe dedicar mais atenção aos itens importantes e menos atenção aos itens de menor importância.
Conclui-se, portanto, que uma carga de trabalho uniforme, que trata de todas as tarefas da mesma maneira, não atende à necessidade do executivo.
O esforço concentrado em poucos assuntos importantes é que abre o caminho para a produtividade gerencial.

ALGUNS PASSOS PARA GERENCIAR SEU TEMPO COM MAIOR EFICÁCIA

Mesmo com os três conceitos “furados” colocados em perspectiva, a questão permanece.
Que regras poderão realmente ajudar-me a melhor administrar meu tempo? O primeiro passo para melhor administrar o tempo é determinar como é utilizado.
A maioria as pessoas acha que sabe como ocupa seu tempo mas, comumente, quando os fatos são registrados num quadro de tempo, o resultado é surpreendente.
Situações típicas demonstradas nesse quadro são:
  1. Julgamentos bruscos feitos em relação a assuntos altamente importantes;
  2. Conversas telefônicas que se estendem em demasia
  3. Períodos de incessantes interrupções nos quais nada de significativo é feito;
  4. Longo envolvimento em assuntos de pouca importância que poderiam ser delegados ou ignorados;
  5. Períodos de escravidão à burocracia, nos quais a “papelada” domina o dia;
  6. Ausência de tempo para pensar ou planejar.
A percepção de como você usa seu tempo implica num esforço de cronometrar suas atividades diárias e registrar os resultados para análise.
Para ajudar a capturar seu dia como ele realmente é, siga estes passos:
Passo 1 – Faça um quadro de tempo.
Use uma agenda, um caderno ou um bloco e anote de 30 em 30 minutos o que você esteve fazendo durante a meia hora que passou. Registre suas atividades por uma semana.
Passo 2 – Reveja o quadro.
Faça um resumo dos resultados. Veja quanto tempo você gastou em assuntos realmente importantes, quanto tempo foi gasto inutilmente e quanto foi dedicado à rotina.
Passo 3 – Reflita.
Você está realmente aplicando o tempo nos assuntos que o ajudarão a atingir seus objetivos?
(você poderá concluir que, certamente, seu tempo não está sendo bem utilizado, mas justifica assim “não existem horas suficientes no dia e, além disso, as pessoas vivem me interrompendo.”).
Para resolver este problema, examine os maiores estranguladores de tempo e deixe mais tempo livre para os assuntos importantes.
As seguintes atividades tendem a dominar o dia do gerente/profissional:
Para ganhar tempo, analise seu dia visando eliminar atividades inúteis. Aqui estão alguns indicadores para manter-se livre da maioria dos estranguladores de tempo:
Passo 4 – Pergunte a você mesmo se realmente precisa ver toda aquela papelada.
O fato de ter sido mandada para você não significa que deva perder tempo com ela.
Faça uma lista dos documentos que recebe; classifique-os em grupos de prioridades A, B e C.
Então, delegando, eliminando e condensando, reduza drasticamente seu gasto de tempo com os itens C e, em menor grau, com os assuntos B, permitindo desse modo, mais tempo para os de prioridade A.
Passo 5 – Discipline suas reuniões para obter resultados mais eficazes em menos tempo.
Volte às bases. Todos conhecem o assunto e o objetivo da reunião? É comum os participantes não saberem o objetivo da reunião (às vezes, nem o líder tem uma idéia clara).
Estabeleça o objetivo da reunião de forma cristalina. Antes dela, faça uma agenda detalhada e, finalmente, registre os resultados em ata.
Pergunte-se também se a reunião realmente é necessária. Talvez não seja e, sim, uma perda de tempo para todos os participantes.
Passo 6 – Determine quanto tempo você dispõe para diálogos (para ouvir, resolver problemas, conversar); então, racionalize o seu tempo de acordo.
Precisa receber todas as pessoas que querem falar com você? E pelo tempo que elas quiserem? Obviamente não.
Muitos dos seus visitantes poderão ser bem atendidos por outra pessoa que não você.
Se tem outras prioridades, é uma prerrogativa sua determinar os limites de tempo dos seus diálogos.
Redobre, portanto, seus esforços para organizar sua agenda de entrevistas.
Passo 7 – Estabeleça um código de conduta telefônica.
Evite escravizar-se ao telefone. Agrupe as ligações para logo se ver livre delas. Evite interrupções telefônicas quando estiver trabalhando em assuntos importantes (desligue o aparelho, ou peça a alguém para anotar recados).
Se precisa fazer ligações diariamente, tente estabelecer um horário para isso. Evite pegar o telefone impulsivamente – organize seus pensamentos e discuta os assuntos em uma seqüência ordenada.

DE VOLTA AOS ANTIGOS CONCEITOS

Para administrar eficazmente o seu tempo, basta fazer uma revisão nos conceitos “furados”.
Com o acréscimo de algumas palavras, os velhos conceitos se transformam em poderosas diretrizes gerenciais.
Eis a versão revisada:
  1. Faça uma lista das tarefas que você precisa executar diariamente; então, estabeleça prioridades e programe as atividades, concentrando-se nestas tarefas até que os itens programados estejam executados.
  2. Cuide primeiro dos assuntos importantes; estes devem sempre prevalecer sobre aqueles que meramente parecem urgentes.
  3. Distribua sua carga de trabalho proporcionalmente de acordo com a importância dos assuntos que você tem à mão.
Estas mudanças, aparentemente sutis, transformam os três conceitos “furados” de tempo em regras altamente eficazes.
Siga estas diretrizes e você se tornará mais eficaz – produzindo mais em menos tempo.
COMO DELEGAR
A delegação determina em grande parte a sua eficácia como executivo, gerente ou supervisor. A qualidade do seu trabalho.
também depende de sua capacidade de delegar adequadamente. Se você o fizer, multiplicará a sua produtividade.
Quanto mais cedo detectar, no seu processo de planejamento, a sobrecarga de trabalho, sua ou de outra pessoa, mais eficaz você será corrigindo o problema.
Não espere fazer tudo sozinho. Talvez você perca muito tempo tentando dominar algo em que não é muito bom.
Delegar, apropriadamente, à pessoa certa, com experiência adequada, é uma das habilidades executivas mais importantes.
Quando você delega, está designando uma tarefa a uma pessoa e a autoridade para executá-la, mesmo que não transfira a sua responsabilidade pessoal, que continua com você.
O Delegante Eficaz
  1. Identifica a pessoa certa para fazer o trabalho.
  2. Delega agora, dando tempo suficiente para a conclusão.
  3. Expõe claramente o objetivo.
  4. Fornece todas as informações necessárias para a conclusão da tarefa.
  5. Certifica-se de que o staff entendeu a tarefa antes de começar a trabalhar.
  6. Marca uma data para conclusão.
  7. Incentiva um plano de projeto por escrito.
  8. Monitora periodicamente a evolução.
  9. É acessível para esclarecimentos e conselhos.
  10. Assume a responsabilidade, mas dá crédito à pessoa que realizou o trabalho.
  11. Ajuda o staff a crescer, conferindo-lhe novas responsabilidades.
Faça agora
O primeiro passo para começar a aproveitar melhor o tempo é organizando o espaço de trabalho.
É necessário começar pelas pilhas de papéis e documentos que povoam mesas dos escritórios.
Ao pegar no papel ou documento pela primeira vez deve-se resolver de imediato, tratar do assunto e direcionar o papel para o lugar certo.
Não se pode usar dos adiamentos, pois quanto mais adiar-se uma tarefa, outras mais se acumularão.
Portanto, ao se tratar de um assunto, deve-se resolver no ato (faça agora), para não simplesmente trocar o problema (papel) de lugar.
Além disso, é importante que se faça tudo de uma vez só, não compensa perder tempo para ler cada um dos documentos, para ler depois analisar e por fim tomar uma providência.
O correto é logo que se começar a resolver um assunto, o fazê-lo de uma só vez, eliminando-se etapas desnecessárias do processo de trabalho.
Outro aspecto importante é trabalhar-se com a mente limpa. Milhares de afazeres menores rondam a mente tirando a atenção da pessoa do assunto a ser tratado no momento por serem puxados pela memória.
Por isso, deve-se eliminar essas pequenas coisas para depois se ter maior concentração maiores facilitando-se sua execução.
Além do que, a importância de se tratar de pequenos problemas está no fato de que assim evita-se que se tornem problemas maiores e mais difíceis de se resolver.
Muitas vezes durante o dia as pessoas são interrompidas pelos chefes, companheiros de trabalho, subordinados e clientes, justamente por não resolverem pequenos problemas piorados com os adiamentos.
Atrasos geram problemas, e problemas geram interrupções que atrapalham o desenvolvimento das atividades nas quais está-se trabalhando.
Desta forma faz-se necessário identificar as prioridades de trabalho, reservando-se tempo para elas, identificar-se as causas e remediá-las.
Devemos focalizar aquelas atividades que mais podem contribuir para atingir os objetivos globais previstos.
Questionar sempre as urgências, usando os seus critérios e comprando-os com os do interlocutor.
Preocupações impedem pessoas de visualizar o futuro, as prendem a fatos passados, impedindo-as de desempenharem boas ações no presente.
Resolvendo primeiramente as tarefas mais desagradáveis ao invés de adiá-las, evita-se tais preocupações e, sentindo-se melhor, as pessoas trabalham melhor.
Naturalmente, não são todas as tarefas que são possíveis de ser resolvidas no exato momento, algumas dependem de outras pessoas ou fatos, dados indispensáveis momentaneamente, e são essas que devem ser classificadas como pendências.
Há também de se ter pertinência pois há tarefas que são verdadeiramente bobas e não devem merecer atenção imediata.

LIDANDO COM INTERRUPÇÕES

Nem todas as interrupções, obviamente são ruins. Na verdade, existem algumas interrupções boas, aquelas onde se discutem boas idéias.
Para cortar interrupções indesejáveis:
Comece a dividir a sua comunicação em lotes. Evite a cada assunto que surge discutir imediatamente com o responsável por isso.
Em vez disso discuta vários problemas no mesmo momento.

COMO PRIORIZAR ASSUNTOS EM FUNÇÃO DE IMPORTÂNCIA E URGÊNCIA?

A TIRANIA DA URGÊNCIA RESIDE NA SUA DISTORÇÃO DE PRIORIDADES – PELO SUTIL DISFARCE DE PROJETOS MENORES COM STATUS MAIOR, COMUMENTE SOB A MÁSCARA DE “CRISE”.
Assuntos importantes são aqueles que são relevantes em termos de nossos objetivos. Urgências são caracterizadas por uma necessidade premente de se realizar atividades dentro de um prazo específico, podendo ser ou não coincidente com um assunto importante.
Programar seu tempo ou seu trabalho?
“O que é que eu realmente consegui fazer hoje?”, quando, no fundo, você já sabe qual é resposta. Como é que pode acontecer este fenômeno?
É porque nos deixamos ser controlados pelas urgências dos outros, mesmo quando estes assuntos não contribuem de nenhuma forma para objetivos em mira.
Devemos nos perguntar onde estamos e para onde estamos tendendo.
PETER DRUCKER fala que: não conseguimos atingir nossas metas diárias porque, em termos de administração de tempo, procedemos de maneira totalmente inversa, isto é, procuramos espremer uma “massa” que se encontra em processo de constante expansão, dentro de um compartimento rígido e limitado.
O importante é procurar alocar previamente uma parcela de tempo para a execução de tarefa, executando, em primeiro lugar, aquela tarefa que produzir mais resultados ou consequências.
Tarefas importantes e tarefas urgentes
O combate a URGÊNCIAS é fundamental para a concentração do tempo nas IMPORTÂNCIAS.
Para combater as URGÊNCIAS é preciso que:
O que é inesperado não é necessariamente importante! Diante do inesperado, resista à tentação de execução imediata, procurando antes identificar a importância/urgência da tarefa.
Ordem Pessoas têm mania de guardar coisas sob o pretexto de talvez precisar delas mais tarde. No entanto, deve-se guardar somente o que realmente é importante e pode ser útil mais tarde.
Há um conceito de que a desordem instiga a criatividade, o que não é verdade. Segundo o “Wall Street Journal” as pessoas passam em média 6 semanas por ano procurando coisas no escritório.
Além da ordem ajudar no acesso às informações de maneira rápida, possibilita um ambiente confortável, e isto ajuda a aumentar a produtividade.
Para trato dos papéis, usa-se o sistema de bandejas, sendo uma para entrada de documentos, uma de pendências e outra para saída.
Entrada: assuntos novos; materiais ainda não analisados a serem tratados.
Pendências: aqueles que não podem ser resolvidos de momento; não podem ficar mais de 24 ou 48 horas pendentes.
Saída: assuntos resolvidos, aqueles que já podem ser arquivados ou eliminados.
Um outro ponto crucial é a eficiência, eficácia e rapidez no trabalho, é necessário ter-se todo o material, ferramentas funcionando perfeitamente e saber-se utilizá-los.
Esses materiais vão desde clipes, grampeadores e tesouras até copiadoras, fax e computadores.
É sempre bom manter-se atualizado acerca de novas ferramentas de trabalho que surgem.
Arquivos
Os arquivos devem estar divididos em arquivos de trabalhos do momento, arquivos de referência e arquivo morto.
Arquivo de trabalho do momento: São aqueles em que se trabalham nos projetos atuais.
Devem estar sempre à mão, de fácil acesso como telefones, códigos, política da empresa, endereços, etc.
Depois de serem discutidos (reuniões), há os arquivos de rotina e os de acompanhamento que devem ser divididos de 1 a 12 (representando os meses) e outra parte de 1 a 31(dias); Nestes devem ser colocados aqueles trabalhos diários, substituindo-se lembretes escritos em papéis por anotações na agenda e coloca-se cada arquivo no dia correspondente do mês a ser tratado.
Arquivos de referência: São os projetos futuros e passados, informações sobre os recursos da empresa, informações sobre o pessoal, dados administrativos, verbas, contas de clientes.
Procura-se guardar o que é necessário e, se for possível, entregar documentos a outras pessoas que seja mais conveniente.
Arquivo Morto: Normalmente, arquivos de até três anos, para fins jurídicos e tributários da empresa.
Para os arquivos eletrônicos, é muito útil distribuí-los em pastas a serem criadas por categorias, de acordo com o tipo de arquivo e o tipo de aplicativo existentes.
As mensagens do correio eletrônico devem ser filtradas logo na tela, selecionando os relevantes, apagando as mensagens inúteis e se for realmente preciso, guardá-las.
Porem as que não precisarem ser guardadas devem ser logo apagadas para que não fiquem ocupando espaço.

ORGANIZE SISTEMAS DE FOLLOW-UP EFICIENTES

Porque ter lembretes sempre à frente, não vai necessariamente nos levar à concentração, ao foco e à produtividade.
Se esses lembretes ficarem pendurados durante um determinado tempo, você não os verá mais.
Olhá-los e não tomar uma atitude em relação a todos eles, reforça um hábito: NÃO FAÇA AGORA. Coloque em prática sistemas simples, que permitem superar esses problemas e fazer o trabalho realmente importante.
  1. Transfira seus papéis para um arquivo que lhe permite agendar material, através de lembretes, de acordo com o dia: – (1 a 31) ou por mês (de 1 a 12). Se você envia uma carta e espera resposta em uma semana, coloque o lembrete com uma cópia da carta que irá lembrá-lo de que precisa falar novamente com o cliente.
  2. Também poderá consolidar todas as pequenas tarefas em um caderno de registros o que elimina a necessidade de pequenos pedaços de papel. Use quando você se lembrar de algo e precisa um lugar para escrever. Mantenha nele um diário de atividades em ordem cronológicas. Você deve datar cada um dos registros. Escreva em letras grandes e separe cada registro. Quando concluir uma tarefa, faça um (X) grande sobre ela. Até criar o hábito, deixe-o sempre em cima de sua mesa.
  3. No sistema de agenda, como são datadas, elas prevêm as necessidades futuras e você pode utilizá-las, como um sistema linear de lembretes. A boa regra para qualquer sistema de agenda é você escolher um sistema para mesa com várias seções e características, ou uma de bolso. Utilize agenda que tenha a função de visão rápida da semana. Aprenda a utilizar todos os recursos do seu sistema de agenda.
  4. Existem sistemas de agendas eletrônicas portáteis que podem nos fornecer uma grande quantidade de informações. Qualquer que seja o tamanho existem alguns inconvenientes. Um sistema/agenda do tamanho da palma da mão pode ter um teclado difícil de se trabalhar. Existem programas com várias funções que você pode utilizar para fazer anotações rápidas e depois revisar e ajustar como acontece quando você planeja no papel. Muitas pessoas combinam os sistemas de agenda de papel e eletrônica, que pode imprimir a sua agenda em qualquer tamanho e você poderá levar o impresso ao invés do computador.

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Fonte: Contabilidade em São Paulo - AGS Contabilidade Integrada
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De forma a prolongar a sua vida útil devem ser respeitados os prazos de manutenção previstos por cada fabricante. É importante saber quando fazer a revisão automóvel. Idealmente, a revisão deve ser feita a cada 10 000 quilómetros ou, caso não tenha noção da sua quilometragem, de 6 em 6 meses. Revisão de acordo com o livro de manutenção do fabricante (1) A Revisão Oficial Automóvel realiza-se de acordo com as especificações do livro de manutenção do seu veículo. A Midas trabalha com uma base de dados técnica que contém mais de 28 marcas, 4.800 modelos e 100.000 planos de manutenção auto. O check-up e revisão auto são importantes para a manutenção e o bom funcionamento do seu carro. Nas oficinas de mecânica auto RINO fazemos a revisão á sua viatura de acordo com o plano de manutenção oficial, sem perder a garantia do fabricante. Son unidades de tres de los modelos más vendidos, patentados durante 13 años. Secciones. Suscribite por $10. ... el auto más innovador del mundo es eléctrico pero no es un Tesla. Já pode fazer a Revisão Oficial do seu veículo na EUROMASTER, com garantia total. Colocamos à sua disposição a melhor equipa de profissionais e peças de primeira qualidade para que conserve a garantia oficial do seu carro e poupe dinheiro na Revisão Automóvel.

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